Opinião
Um pouco mais do mesmo, sem emo��o

Como o assunto político mais importante para boa parte dos torcedores brasileiros, a escolha do novo técnico da seleção canarinho sempre causa frisson. Especialmente quando uma goleada histórica de 1x7 frente a Alemanha, seguida de 0x3 impostos pela Holanda, a definição do novo condutor do escrete nacional ganha ares de escolha de um monarca ou de um primeiro-ministro, visto que o voto direto do povo nada conta no processo. É como se o voto reprimido estocasse uma tensão crescente, desaguada na escolha por outrem do nome que todos desejariam dar opinião. Certamente, se eleição direta houvesse para técnico da seleção de futebol, nem precisaria determinar a obrigatoriedade do sufrágio: os eleitores correriam às urnas, ávidos e entusiasmados. Certamente, a campanha eleitoral seria das mais aguerridas, com radicalismos para todos os gostos. Haveria segundo turno? Mas, privada do direito de votar, a alma torcedora tupiniquim resta aguardar, mormente em data incerta, o nome de quem vai ter a responsabilidade e a honra de conduzir o time canarinho. Frustrados com a decepção causada pela ?família Scolari? os torcedores brasileiros receberam com certo muxoxo a indicação (monocrática?) de Dunga como o velho novo técnico. Apupado, execrado, o teimoso Dunga (nada bem-humorado como o atabalhoado e simpático personagem de Walt Disney em Branca de Neve), retorna ao posto do qual foi apeado há algum tempo como uma espécie de reafirmação da incapacidade da Confederação Brasileira de Futebol em se renovar. Sempre é mais do antigo, é o temor ao novo, o receio de arriscar inovando. Volta quando anuncia que iria adiante. Acachapada com o recebimento de uma dezena de gols em duas partidas subsequentes, cometidas na reta final da Copa do Mundo realizada no nosso próprio país, a torcida brasileira não vibrou, nem se emocionou, sequer se surpreendeu com o retorno de Dunga. Até porque, depois de uma goleada histórica e inexplicável, a repetição de um nome mais ou menos não provoca reação diferente da mais ou menos. É assim-assim. Nem fede nem cheira. E lá se foi mais uma oportunidade de sacudir, positivamente, a torcida brasileira de seu banzo, de sua melancolia.