Opinião
Uma novidade que pode democratizar as pautas
Até causou explicável surpresa um órgão da autodenominada ?grande imprensa? veicular uma denúncia contra Aécio Neves. Tão inusitada foi a ocorrência que não faltaram teorias da conspiração para tentar entender o que estaria acontecendo. Não seria um golpe de marketing ou alguma armação a favor dos próprios tucanos? Enfim, a denúncia não só surgiu mas foi mantida na pauta da Folha de S. Paulo. A denúncia informa que um aeroporto foi construído com verbas públicas numa propriedade de um parente de Aécio Neves, na cidade mineira de Cláudio. As obras teriam sido realizadas em 2009 e 2010 e teriam custado a bagatela de R$ 14 milhões. Mais ainda: a empresa construtora, Vilasa Construções Ltda., segundo a Folha, teria sido doadora para as campanhas de Aécio, em 2006, e Anastasia, em 2010; destacando o jornal paulista que os dois tucanos teriam sido os únicos candidatos jamais agraciados com recursos daquela empresa em campanhas eleitorais. De fato, uma pauta surpreendente. Até então, era como uma espécie de cláusula pétrea a impedir, ou minimizar, toda e qualquer denúncia contra o tucanato (especialmente, aquelas aves pousadas nos poleiros paulistas, cariocas e mineiros). Escândalos incontornáveis como o do metrô de São Paulo eram abordados até com algum destaque, mas só depois de terem vazado por outros canais e se tornado impossíveis de esconder totalmente, e depois sistematicamente eram sumidos do noticiário. Em determinados casos tenebrosos, como o do ?helicoca?, o helicóptero detido com meia tonelada de pasta de cocaína, a notícia ficou restrita a sites alternativos, sendo completamente driblada (aspirada?) pela ?grande mídia?. Mas, de fato, é imensa a novidade da mídia situada no eixo Rio-São Paulo tomar a iniciativa de pesquisar e denunciar um (dos muitos) escândalos no ninho tucano. Oxalá não seja jogada de marketing editorial ou outra armação qualquer. A democracia brasileira, indubitavelmente, precisa de uma grande imprensa livre e capaz de exercer essa liberdade para além de um único alvo, atuando efetivamente como regem os vistosos manuais de redação desses poderosos grupos, praticando o jornalismo investigativo independente dos vieses políticos, ideológicos e eleitorais.