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Opinião

Os esp�ritos de porco e as almas iluminadas

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Mais uma vez, a mídia ?grande? não se peja em manipular informações em benefício de seus interesses políticos. Num release assinado por uma agência de notícias sediada em São Paulo, ao cobrir o sepultamento do grande Ariano Suassuna, o texto viajou na maionese (como gostam de dizer no Sudeste) e, maldosamente, apresentou como uma espécie de provocação a Dilma Rousseff o fato de ter sido cantada ?a música de campanha de Eduardo Campos?. Teria sido mais uma demonstração de intolerância e deselegância. Teria, pois a coisa não foi bem assim e a maioria dos repórteres presentes soube identificar, corretamente, na canção, apenas uma das músicas mais populares em todo o Nordeste. A composição é a famosa Madeira do Rosarinho. Há quatro anos, foi usada na campanha de Eduardo Campos para governador de Pernambuco; e naquela campanha, como nas anteriores, Suassuna apoiou abertamente o neto de Miguel Arraes. Mas a música é muito mais que isso: é o hino de um bloco fundado em 1925 e uma espécie de referência para as ideias armoriais de Suassuna. No mais, o momento da execução da Madeira do Rosarinho, comprovando que seu cantar estava muito acima que tentativas rasteiras de provocação, não se registrou nenhum constrangimento para Dilma, nem para Eduardo Campos, nem para ninguém presente. Apenas para quem caça factoides. Como convém à civilidade, Dilma e Eduardo trataram-se sem afetações e conversaram naturalmente. Afinal, o voto do grande personagem que estava a ser sepultado era, como sempre foi, aberto e transparente, jamais devendo ser usado por outrem em desrespeito à grandeza daquele cidadão. Até porque, apesar da enorme amizade do genial paraibano com a família Arraes e, particularmente, com Eduardo Campos, Ariano Suassuna nunca escondeu a sua simpatia para com Dilma Rousseff na campanha em curso. Mais um motivo para ser rechaçada toda tentativa de partidarizar um momento tão emblemático como a despedida de um dos maiores intelectuais e formuladores culturais brasileiros. Ariano Suassuna, o gigante de alma luminosa, sempre esteve acima dessas mesquinhezas. Dilma Rousseff e Eduardo Campos bem sabem disso e se comportaram de acordo com a grandeza do mestre de quem se despediam.

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