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Opinião

MADEIRAS QUE CUPIM N�O R�I

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Em pouco mais de uma semana, perdemos João Ubaldo Ribeiro e Ariano Suassuna, sem esquecer Ivan Junqueira e Rubem Alves. Cruelmente, perdemos tanta coisa boa em tão pouco tempo. Nesse limitado espaço, rendo minhas modestas homenagens ao João Ubaldo e ao Ariano, nordestinos e eruditos, mas que tiveram as suas obras grandemente influenciadas pela cultura popular. João Ubaldo, semanalmente nos deliciava com suas crônicas em dois grandes jornais nacionais que não circulam em Maceió, mas que são acessíveis pela internet, teve em sua Itaparica um renovado manancial de inspiração, mas, ultimamente, eram o Leblon, onde morava, e seus amigos cariocas, as fontes a abastecê-lo. Entre tantas crônicas publicadas em livros como Sempre aos Domingos, aquelas que relatavam suas experiências em UTIs ? quando esteve internado para recuperar-se de crises decorrentes de sua saúde frágil e de sua vida boêmia ?, são um desnudamento público, pela gozação que fazia de si mesmo, o que, entretanto, não escondia o medo da morte e o amor pela vida. Em Viva o Povo Brasileiro, procurou a visão do sentimento de identidade entre os brasileiros, uma busca contínua, declarada em seu discurso de posse na Academia Brasileira de Letras: ?nós, artistas, contribuímos para o conhecimento de nós mesmos, a afirmação de nossa identidade?. Ariano, nesse particular, foi além: sua obra inteira, foi calcada na cultura popular nordestina. Na obra O Alto da Compadecida, Nossa Senhora afirma que ?quem gosta de tristeza é o Diabo, os que nunca riem são, em geral, cruéis, inclementes. São os inquisidores, os fanáticos, os torturadores, os tiranos?. Daí, as suas aulas espetáculos, eram uma maravilha, e suas incursões pelo Carnaval de rua do Recife, onde encontrei-o várias vezes, uma simbiose concreta entre obra e homem. Sua originalidade era aquela que se tem de nascença ou não se tem de jeito nenhum, aquela da afirmação de Joaquim Nabuco: ?A originalidade só se perdoa quando é involuntária?. Seu corpo desceu ao túmulo ao som de Madeira do Rosarinho, de Capiba: ?Nosso bloco traz seu estandarte tão original. É madeira que cupim não rói?. O tempo não roerá João Ubaldo e Ariano Suassuna. Suas consistentes obras continuarão nos deleitando e nos ajudarão a matar as saudades. Madeiras que cupim não rói.

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