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Opinião

HERAN�A VITORIOSA

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No âmbito de todos os ofícios, os talentos da literatura são festejados também através de honrosas comparações. O julgamento promove lembranças com outras figuras humanas vitoriosas. Motivado pelos detalhes de estilo, paixões comuns, forma de traduzir pensamentos, além das mágicas aproximações. Algumas vocações privilegiadas, no entanto, na plenitude de seus trabalhos, no exercício de sua profissão e na projeção de sua personalidade, terminam por alcançar uma marca pessoal, um timbre especial que os fazem merecedores de marcante distinção. Este fenômeno se aplica ao noticiário e as manifestações da crítica especializada, gerados pelo recente falecimento do escritor, jornalista e professor João Ubaldo Ribeiro. Nascido na Bahia, residia na cidade do Rio de Janeiro, aplaudido cronista e autor de vários livros que imortalizam seu nome. Seus principais livros ? Viva o Povo Brasileiro é apontado como sua obra-prima. De caráter épico, um romance sobre a formação de toda uma nacionalidade. Sargento Getúlio, linguagem inventiva, a lembrar pela crítica Guimarães Rosa. Transformado em filme, seu enredo foi popularizado, mostra a história de um sargento que conduz um prisioneiro, numa narrativa intrigante, rica em episódios. Foi um cronista de grandes méritos, de produção constante e intensa, escreveu para diversos jornais nacionais e do exterior, morou nos Estados Unidos e na Alemanha. Traduziu seus próprios livros para a língua inglesa e se tornou um cidadão do mundo. Seu afeto e imaginário estavam fincados em Itaparica, cidade do interior baiano, sua vila natal, sua república sentimental. Nunca perdeu a alma de suas origens. Cultivava admiração especial ao seu universalmente famoso, irmão baiano, Jorge Amado. Seu ilustre confrade Ignácio Loiola Brandão, da Academia Brasileira de Letras, o definiu: ?Um clássico de nossa geração de escritores. Sempre exuberante, escaldante e comunicativo?. O cineasta Cacá Diegues afirmou: ?suas observações, em crônicas e em livros, eram sempre únicas, daquelas que não nos ocorreria fazer antes dele?. Ignácio Loiola lembra: um dia pediram a uma destacada jornalista para comentar a morte de Tom Jobim; ela respondeu ?nem sabia que Tom Jobim também morria?. Os bravos companheiros de João Ubaldo, pela sua contagiante alegria, nunca esperaram seu falecimento. Agora, erguem, comovidamente, seu talento e uma imensa saudade.

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