Opinião
Garimpando no fundo do Oceano Atl�ntico
Infelizmente, num cenário inteiramente contaminado pelo partidarismo midiático, especialmente estressado pelo clima eleitoral, notícias importantes têm sido menosprezadas, quando não completamente esquecidas. Pena, pois a divulgação dos fatos relevantes é, além de um direito cidadão, elemento indispensável para a geração de debates sobre temas relevantes para o País. Este é o caso da conquista, pelo Brasil, de autorização da ONU para explorar recursos minerais localizados em águas internacionais no Oceano Atlântico. Mesmo considerando a proeminência de pautas como a da busca do petróleo nas camadas profundas do pré-sal, a mineração submarina em tela tem passado em brancas nuvens. O assunto é instigante e exibe inegáveis interrogações. Afinal, é algo novo a questão da prospecção de minerais valiosos nas profundezas abaixo do oceano, pois, até pouco tempo, apenas o petróleo e o gás eram badalados pela mídia quando de sua extração marítima. Segundo a BBC Brasil, ?a mineração submarina é considerada uma nova fronteira na busca por metais preciosos como manganês, cobre e ouro, que se tornaram essenciais na economia mundial moderna?. Isto posto, registre-se que o Brasil, via Ministério das Minas e Energia, foi autorizado pela Autoridade Internacional de Fundos Marinhos (Isba, sigla em inglês da instituição), órgão técnico das Nações Unidas, a realizar explorações, por 15 anos, numa área de três mil quilômetros quadrados nas profundezas do Atlântico, em uma área distanciada em cerca de 1,5 mil km da costa do Rio de Janeiro, conhecida como ?Elevação do Rio Grande?. O garimpo submarino brasileiro vai buscar, dentre outros minerais, cobalto e demais elementos químicos cobiçados pelas indústrias de alta tecnologia que produzem chips, peças para geração de energia e para veículos elétricos. Segundo Roberto Ventura Santos, diretor de geologia e recursos minerais do Serviço Geológico do Brasil, nosso país é o ?primeiro da América Latina a conseguir essa permissão, entrando, assim, no seleto grupo de países que fazem esse tipo de exploração, como o Japão, os Estados Unidos e a China?. Está aí uma ótima notícia. Pena que silenciada pelo descaso das grandes agências de imprensa, cujo centro é o que possa causar polêmicas contra o governo federal.