Opinião
Nanismo pacifista e gigantismo mortal

Em mais uma tentativa de fazer cessar a matança na Terra Santa, a ONU emitiu, através de seu Conselho de Segurança, um pedido de cessar-fogo ?imediato e incondicional? para a Faixa de Gaza. A posição veio ao encontro dos anseios mundiais pela interrupção do derramamento de sangue inocente naquela região conflagrada. No mesmo rumo, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez apelo semelhante ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, via telefonema direto, no domingo. Mas nada parece deter a sede sanguinária em ambos os lados. O governo israelense e os dirigentes do Hamas aferram-se em suas posições belicistas, malgrado a abissal distância entre os poderes de fogo de Israel e dos resistentes palestinos. O resultado de tamanha desproporcionalidade salta aos olhos na comparação entre os mortos de um e de outro lado: Mais de mil palestinos, em sua imensa maioria civis, já foram contabilizados (até domingo passado) contra 43 soldados e dois civis israelenses. Poder-se-ia dizer que esse morticínio é apenas mais um dentre tantos que estraçalham o mundo contemporâneo. Essa assertiva tem lá a sua verdade, mas um dos fatos diferenciadores dessa carnificina na Terra Santa é o espalhamento de seus efeitos pelo mundo, pois o terror se alimenta das frustrações provocadas por um conflito que se arrasta há quase 70 anos, radicalizado desde a proclamação do Estado de Israel, em 14 de maio de 1948, em ato que liquidou as esperanças de uma partilha negociada das terras palestinas conforme proposto pela ONU em 29 de novembro de 1947. Desde então, a Organização das Nações Unidas tenta ajustar às novas realidades a sua antiga resolução dos dois Estados. Em vão. A guerra fratricida entre os semitas (árabes e hebreus) só tem se aguçado e, apesar do crescimento vertiginoso do poder bélico das forças armadas israelenses, os radicais palestinos não demonstram preocupação com sua a inferioridade armada. A resolução do Conselho de Segurança da ONU é digna de ser apoiada pelo mundo todo, num esforço sobre-humano para deter a escalada da matança naquela terra que milhões de judeus, cristãos e muçulmanos consideram santa.