Opinião
HUMANIZA��O DA VIDA
Uma poesia de Mário Quintana expressa as dificuldades que temos de compreender mensagens contidas em leituras que fazemos ou de comunicações que recebemos. Versos do poeta dizem isso: ?A gente pensa uma coisa, / acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa... e, / enquanto se passa tudo isso, / a coisa propriamente dita / começa a desconfiar que não foi / propriamente dita?. Por vezes, é difícil entender mensagens inseridas na poesia ou na prosa. De igual maneira, nem sempre entendemos a linguagem da vida. E é fácil explicar: quase sempre, vivemos em situações-limite da fronteira de nossas forças e do desempenho mental. O prolongamento da jornada de trabalho é um bom exemplo. Geralmente, as pessoas trabalham oito horas por dia, chegam em casa, sentam-se diante do computador, leem os ?e-mails?, respondem, navegam na internet e aí acrescentam duas ou três horas a mais de atividade. Praticam um lazer? Ensaiam momentos de descontração, através dos quais repõem o combustível da célula nervosa? Ao que parece, perdemos o comando do tempo. Humanização da vida é um tema sempre em pauta. Humanização no trabalho, sempre estressante, humanização na família e no meio em que se vive. Volta-se da lida diária, nem se descansa, e lá vem bomba. Os problemas caseiros são atirados no colo de quem chega, sem mais delongas. Por vezes, a clássica pergunta: Tenho duas notícias, uma boa e outra ruim, qual das duas você quer primeiro? ? É sempre bom ouvir primeiro a ruim para tentar depois compensar o desgaste ocorrido recebendo uma notícia melhor. Se bem que, o momento de más notícias não é quando se chega da rua, de sangue quente, irritado pelo trânsito e problemas acumulados. Nesses casos, vale a pena, em primeiro lugar, conversar banalidades que possibilitem relaxar um pouco. E o lazer? Há os que escolhem o lazer errado. Prefira um filme de comédia, de romance, como distração. Puxa! Alguns escolhem filme de terror. Ficam diante do televisor, suando frio, extremidades geladas, acompanhando lances que enervam e chocam. Depois, vem a insônia, noite mal dormida, com indisposição certa no dia seguinte. Acúmulo de desgastes evitáveis. Valeu o lazer? Vivem-se canseiras exageradas como se a vida humana fosse eterna, como se esses desgastes pudessem ser compensados no futuro. Quem sabe do futuro? O período existencial passa rápido.