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O MERCADO DE ARTE EM ALAGOAS – O QUE ACONTECEU?

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Muita gente pergunta o que aconteceu com o mercado de arte que existia em Alagoas até o final do século 20. Vendia-se muito bem, muitos artistas ao abrir uma exposição já estavam com 80% das obras vendidas, às vezes muito mais. Tivemos, numa mesma época diversas galerias e todas tinham movimento. E havia até gente fazendo o papel de marchand, servindo de ponte entre o artista e o comprador. Com toda essa movimentação, não se pode negar que havia um mercado de arte e compradores. Este público comprava, pelo prazer de possuir uma obra de arte em sua casa. Não era, é bom que se esclareça, para investir em arte como no eixo-Sudeste, para esperar valorizar e ganhar dinheiro. Havia, sim, aquele burburinho da sociedade em torno do artista, cultuando sua obra e promovendo cada vez mais o mercado. Muita gente adquiria uma obra de arte através de consórcios, onde um marchand tinha a iniciativa, às vezes comprando ou recebendo em consignação. Estes consórcios eram fechados com uma rapidez invejável. O mais impressionante era entrar em algumas residências e reconhecer esses artistas expostos por todas as partes da casa. O que aconteceu? Seria algum fator econômico? Não foi, porque Maceió cresceu e se verticalizou com a mesma pujança de outras capitais brasileiras. A classe média também pulou um degrau a mais enquanto novos ricos surgiram e hoje posam de celebridades em colunas sociais. Algo que me espanta atualmente é ver que esses artistas, mesmo os falecidos, não possuem mercado. São vendidos através de anúncios em jornal ou pela internet, aleatoriamente, sem nenhum escrúpulo. Muitas obras estão hoje cerradas em porões e quartos de despejo, quando não, jogadas na lixeira do prédio. Já não cabem nas paredes dos apartamentos, na nova decoração, nem significam nada para seus herdeiros. Ora, se são descartados artistas consagrados, às vezes pelo pecado de ser figurativo, como ficam os novos? A casa pode ser uma vitrine tocada apenas por mãos profissionais. Os donos apenas convivem com a montagem sem nenhuma interferência. Igual ao filme Meu Tio de Jacques Tati, 1958. Nada mudou de lá para cá. Alguns artistas se arvoraram a mudar de estilo em busca de uma quinta essência para enfrentar o paradoxo. Mas a questão é bem pior: o dono da casa pode ser o pagador, mas não é mais o comprador. O artista se distanciou de seu público. A arte efêmera virou febre. Quem sobrou não está mais na moda.

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