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Opinião

Por quem os sinos dobram em Gaza?

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Escarnecendo com os sentimentos de paz do mundo, segue a matança em Gaza. Impotente, a ONU e seu Conselho de Segurança, e seus apelos por um cessar-fogo, são solenemente ignorados pelos dois principais protagonistas do morticínio: o governo israelense e o grupo Hamas. Um holocausto, sem dúvida. Mas em nome de qual divindade está sendo sacrificada um contingente tão numeroso de inocentes? Os adeptos do Hamas dizem que não lhes resta outra saída depois de terem sido expulsos de seus lares pelos israelenses e depois de fracassarem todas as tentativas pela instalação de um Estado palestino independente na região. O governo de Israel diz que está se defendendo dos foguetes lançados pelo Hamas a partir do território de Gaza e que não aceita relacionamento com esse grupo palestino eleito para dirigir aquela faixa de terra. O que fazer? Pelo que se percebe, resta ao resto do mundo apenas assistir ao espetáculo de selvageria. Show de morte e intolerância, por sinal, em cartaz naquela região há pelo menos 67 anos, desde quando foi apresentada e recusada (pelas lideranças árabes e judaicas) a proposta de partilha do território palestino em dois Estados. A faixa deve seu nome à cidade de Gaza, cuja existência se perde no calendário de antes da história escrita. Seus limites atuais vêm de 1848, como um dos resultados da guerra pela independência de Israel, cujas fronteiras foram sacramentadas pelo armistício assinado em 24 fevereiro de 1949. Foi o primeiro lugar administrado diretamente por palestinos depois do surgimento do Estado israelense. Esse período autônomo foi interrompido em 1959, quando passou a ser gerido por um governante militar egípcio até 1967, quando foi ocupada por Israel durante a Guerra dos Seis Dias. Em 1993, por conta dos Acordos de Oslo, voltou a ser administrada pelos próprios palestinos. Durante todo esse tempo, o espaço de 365 quilômetros quadrados foi sendo apinhado por refugiados palestinos expulsos de suas moradias originais. Estima-se que, no início das atuais operações de guerra, lá vivessem cerca de 1,7 milhão de pessoas. Hoje, conta com menos um milhar de seus habitantes, imolados em holocausto a alguma divindade cega, surda e muda aos sofrimentos humanos.

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