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TIRIRICA E JARARACA NA ACADEMIA

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Existiria algum paralelo entre o palhaço Tiririca, que se elegeu deputado federal por São Paulo com uma montanha de votos, usando o mote ?Vote Tiririca; pior do que tá não fica?, e o alagoano Jararaca, compositor da marchinha Mamãe eu Quero, que estourou no Carnaval de 1937 no Rio de Janeiro, para ganhar o mundo como uma das músicas brasileiras mais interpretadas e gravadas de todos os tempos? Essa enigmática questão foi colocada durante a palestra proferida pelo jornalista Enio Lins essa semana na Academia Alagoana de Medicina. Ao final, o multifacetado jornalista-chargista comparou a eleição de Tiririca, eleito sem nenhuma proposta, ou com uma proposta anarquista, com a candidatura de Jararaca a vereador, então dono de imensa popularidade, com uma proposta séria, onde afirmava ?mamãe, eu não quero mais mamar?, e que foi derrotada nas urnas em 1947, já na fase de redemocratização. Para então chegar a um dilema singelo: nesse longo período de mais de 70 anos, no qual o País evoluiu para se tornar uma das economias mais importantes do mundo, a ética, aqui, involuiu, recrudesceu, apequenou-se enormemente. Ao final, muitos colegas presentes manifestaram-se solidários a sua tese, citando inúmeros exemplos práticos, principalmente na vida pública nacional. Não houve nenhuma voz discordante. A brilhante palestra nos fez voltar àquele tempo: era o Estado Novo, com sua Constituição de 1937, que aboliu a liberdade de expressão. Todos os meios de expressão, como o teatro, o cinema, o radio e os jornais, foram submetidos à censura prévia. Mais que isso; foi atribuído à imprensa o caráter de utilidade pública, o que obrigava todos os jornais a publicar comunicados do governo. O Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), modelado nos regimes fascistas então em ascensão, fazia a lavagem cerebral. A repressão evoluiu para os partidos políticos, até o desfecho final, com a queda de Vargas em 1945 e o fim do Estado Novo. Quando o País evolui materialmente e empobrece eticamente, existiria alguma explicação, além da falta de educação da maioria da população, que assim não saberia melhor escolher seus representantes, a razão maior aludida ali? Certamente, entre as respostas, está a liberdade de expressão. Ela será fundamental na evolução da questão ética nacional. É um princípio inegociável.

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