Opinião
Desesperan�as e �dios acumulados
Espera-se que a matança alastrada sobre a Faixa de Gaza, tragédia humanitária imune até aos cessar-fogos ilusórios, possa sensibilizar as almas de boa vontade e inspirar novos, e verdadeiros, esforços internacionais pela paz na Terra Santa. Mais uma vez, comprova-se que nem o Estado de Israel nem radicais como o Hamas possam vir a ser considerados, no curto prazo, como protagonistas de um processo pacificador. Ambos se reafirmam como adoradores da guerra e praticantes do holocausto como forma preferencial para o enfrentamento de suas divergências. Infelizmente, desde o final dos anos 40, a Organização das Nações Unidas tem provado a sua impotência como mediadora na guerra fratricida entre semitas pelo controle da região palestina. Judeus e árabes têm, a princípio, interesses inconciliáveis sobre a mesma terra, sendo indispensável a presença de um terceiro agente dotado de força real para que alguma pauta conciliatória possa vir a ser apreciada com seriedade. Mais que nunca, esse papel só pode ser desempenhado a contento pelos Estados Unidos, hoje a única fonte de poder que pode ser ouvida pelo Estado israelense e por seus portentosos aliados baseados, especialmente, no próprio solo americano. E, no caso de endurecer a sua posição, Washington não logrará atendimento de forma fácil, pois a cultura cimentada ao longo de sete décadas não se desfará, como num passe de mágica, frente a palavras pacifistas. Ser mais incisivo junto aos israelenses, por estes serem a parte forte e vencedores óbvios, pela supremacia militar incontestável, exigirá tanto mais firmeza quanto inovadora capacidade de articulação. Porém, a Casa Branca, com suas razões, também teme enveredar por esse caminho ? que passa pela correção do erro histórico de não se ter definido algum tipo (qualquer tipo) de Estado palestino estabelecido, de fato e de direito, num território delimitado e, obviamente, vizinho a Israel. Israel, cada dia mais gigante no campo militar, por si próprio, não recuará do uso da força para afastar quem considere inimigo. Os palestinos, cada dia mais humilhados e desesperançados, tendem a se engajar com mais força aos movimentos radicalizados, típicos dos que nada mais têm a perder.