Opinião
Grandes esperan�as enterradas � beira-mar
Depois de um tempo precioso desperdiçado, finalmente foi retomado o processo de transferência dos ocupantes da Favela de Jaraguá. Em dois anos de inação multiplicaram-se os moradores e as dificuldades naquela área. E, apesar da disposição manifestada atualmente pelos poderes públicos, a desconfiança ainda pesa sobre o resultado da operação. Afinal, em maio de 2012 foi confirmada a transferência das 382 famílias devidamente identificadas como moradoras da favela de Jaraguá. A nova comunidade estava enfim construída: o residencial Vila dos Pescadores, localizado à beira mar, na Praia do Sobral, contava com 450 apartamentos novinhos em folha, dotados de infraestrutura básica, playground, quadra de esportes, e outros equipamentos comunitários. Nesse ponto, 38 moradores recusaram-se a trocar os lúgubres casebres pelas novas habitações e o processo deu para trás, deploravelmente. À época, poucos se perguntaram quais motivos teriam feito uma pessoa em sã consciência deixar de trocar uma inóspita latada por um apartamento, mesmo modesto, mas imensamente superior em termos físicos e imensamente mais valorizado, e ? detalhe importante ? de posse inteiramente legalizada. Alguns chegaram a desconfiar que algumas pessoas estariam sendo pressionadas pelos chefes do crime organizado para que não aceitassem o deslocamento e assim continuasse garantida a ambiência para o funcionamento dos negócios escusos sediados naquele trecho de praia. Pode ser que tal coisa tenha sido mera ilação, mas o fato é que recrudesceram os assaltos em toda área e que cresceram as suspeitas de que o perímetro estaria funcionando como base para distribuição das drogas vendidas nas chamadas ?áreas nobres?. Suposições? Finalmente, é reiniciado, 26 meses depois da primeira tentativa, o esforço de transferência dos habitantes da Favela de Jaraguá para um residencial bem mais condigno. E a sociedade torce para que nova interrupção não venha a agravar novamente a realidade daquela área. Para toda Maceió, é de fundamental importância que naquele perímetro privilegiado sejam instalados equipamentos urbanos dignos de uma cidade turística e que se preocupa com o aumento da qualidade de vida de seus cidadãos. Além dos espaços públicos de lazer, o espaço precisa ser ocupado por estruturas ligadas ao porto e à pesca, como uma marina com atracadouros decentes para os barcos pesqueiros e embarcações de lazer e esporte, criando empregos e gerando renda para um grande número de famílias.