Opinião
A LI��O DO DAVID LUIZ
O nobre gesto do jogador David Luiz, pedindo desculpas ao povo brasileiro porque não o teria feito sorrir, deveria ser seguido pelos governantes e todas as autoridades. O significado dessa humilde lição, quando ainda ecoava os efeitos daquela humilhante derrota de 7x1, tem muito a ver diante da situação caótica por que passa nosso país, conforme os dados que lanço: 1. A Alemanha é detentora de 102 Prêmios Nobel e o Brasil, nenhum; 2. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) aponta o nosso país na deplorável posição de 85º lugar, entre 106 Países (14 de março de 2013), portanto, situando-se entre os mais pobres do mundo, como o Haiti; 3. Em 2011, o Brasil estava em 58º lugar no âmbito da educação, num universo de 65 países, tendo como fonte a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico da Europa; 4. A Unesco, faz sua análise criteriosa, apurando se encontrar o nosso Brasil no 88º lugar entre 128 nações, acoplando-se tais dados ao que já havia sido divulgado, como dito acima. Diante de tal quadro estarrecedor, não se lhe emprestou qualquer importância, ocorrendo estranho silêncio da grande mídia nacional. Os governantes buscam sempre desculpas e se servem de eventos, para mascarar a realidade. No tocante à seleção, ao contrário, deu-se ênfase, como se o mundo fosse acabar. Houve um amontoado de notícias que geraram trauma, como se esse setor (que carece de profunda reforma), significasse a salvação da pátria. O nosso futuro como nação, que se intitula emergente, não deve ser mensurado por um campeonato de futebol, embora toque em nossa alma uma derrota desse jaez. Estamos perdendo em tudo: na área social em sentido amplo; na economia; na educação; na segurança; na diplomacia; na infraestrutura, enfim, englobando estradas, portos, ferrovias etc. Enquanto isso, a Fifa divulga que foram gastos com essa desnecessária Copa, a espantosa cifra de R$ 25 bilhões e seiscentos milhões, sendo que 83% desse valor saíram dos cofres públicos. Isso, a nossa torcedora maior, a presidente Dilma, não anunciou. O pronunciamento do referido atleta, pelo menos, nos fez despertar para uma realidade que se planta nos meios de comunicação diferentemente. Não é bom sustentar e difundir uma ilusão, como se determinados programas de cunho eleitoreiro e paternalistas, comumente citados pelos governos e reforçados às vésperas de eleições, fossem um favor ou esmola. É dever do Estado suprir as necessidades de sua gente. A manutenção de projetos desse tipo é fruto de extorsivos impostos que pagamos.