Opinião
O CORPO E A MENTE
Vem dos filósofos da antiga Grécia, onde pontificavam Sócrates, Platão e Aristóteles ? estudiosos da filosofia e da ciência da vida ? a ideia de que o corpo humano é uma unidade indivisível, constituída de corpo e mente. Mais tarde, séculos depois, Freud defendeu e comprovou essa interação, analisando aspectos psíquicos e biológicos e suas influências na saúde e origem das doenças. Muitas doenças do corpo são originadas no psiquismo e não se curam senão quando descobertos os fatores que para elas concorrem. As úlceras gástricas, provenientes de estresses continuados, são bons exemplos. Um conhecido especialista vai mais além, quando afirma: ?o corpo humano reflete o que as pessoas pensam. Quando reprimimos, guardamos e acumulamos emoções e angústias e não as extravasamos, elas vão se somando até o ponto em que explodem em um órgão mais sensível?. Na clínica e no hospital, inúmeras vezes eu encaminhei doentes a psicólogos, ciente de que eles somente se recuperariam se conseguissem trazer à tona para análise as suas questões emocionais e psíquicas. Por sua vez, doentes internados merecem e necessitam de apoio médico e psicológico. Nesses momentos, o papel do parceiro ou parceira, da família, dos amigos, são de importância sem precedentes. Da parte do hospital, ao lado do aprimoramento técnico-científico, há que se levar em conta o caráter humano de sua missão. Uma palavra de ânimo, ao pé do leito, é bálsamo que alivia e reanima. Há casos de crianças atendidas com crises agudas de asma ou surtos de febre alta que apareceram, logo após viagem do pai ou da mãe. O otimismo é muito importante na recuperação do enfermo. Há doentes graves que acreditam que vão recuperar-se e não perdem a fé e a coragem, mesmo nos momentos mais dramáticos da trajetória de suas moléstias. Assombram os médicos com rápida cura. Por outro lado, doentes pessimistas tendem para pensamentos negativos e suas defesas orgânicas nem sempre reagem como deveriam. Quando tratava desse assunto, em minhas aulas de Medicina, lembrava o caso do famoso ator norte-americano Yull Brynner, que, durante uma filmagem, tomou conhecimento de um câncer avançado de que era portador. Iniciou o tratamento sem parar o trabalho. Orgulhoso, otimista, astral alto, dizia às pessoas que sua cura seria sua grande conquista. Recuperou-se, contrariando opiniões dos especialistas da época.