Opinião
Com o apetite das taturanas fam�licas
Grave é a situação dos ocupantes das 27 cadeiras da Assembleia Legislativa de Alagoas, agora denunciando o não pagamento de seus salários. A gravidade, naturalmente, está bem menos vinculada às dificuldades pecuniárias dos nobres parlamentares (que têm como sobreviver, apesar de tamanha ignomínia) e expressada, cabalmente, na recorrente pergunta sobre o que faz a Mesa Diretora da Casa de Tavares Bastos com a fortuna recebida mensalmente como expressão monetária do famigerado duodécimo legislativo. Só para lembrarmos, o início deste ano foi marcado por mais um ?aperto? de caixa da Assembleia. Entre o fim de 2013 e o começo de 2014, faltou (mais uma vez) dinheiro nos cofres do casarão da Praça Dom Pedro II, resultando ? segundo seus gestores ? na paralisação das atividades (mesmo durante o recesso?!) e no atraso do pagamento dos salários de seus funcionários. A toque de caixa, veio o socorro, no dia 3 de janeiro de 2014, na benfazeja quantia de modestos R$ 11,9 milhões, despachados pelo governo a título de antecipação de 1/12 do duodécimo a ser executado neste ano. Ressalte-se que esse valor tinha como referência o ano de 2013, pois, para este exercício em curso, os valores seriam reajustados (para mais, lógico). Pois bem, em agosto, para desgosto dos parlamentares estaduais, ao se raspar o taxo, já faltaram recursos para pagamento dos proventos dos eleitos justamente em plena campanha pela reeleição (ou eleição de seu substituto preferido). Surge, novamente, como sempre nos últimos anos, a incômoda pergunta: o que a Assembleia Legislativa Estadual faz com tanto dinheiro? Se folhearmos o noticiário policial dos últimos anos, notaremos a presença permanente, insistente, recorrente, de escândalos semelhantes ? inclusive com prisões de deputados e afastamento das mesas diretoras ?, envolvendo acusações de desvios de quantias homéricas do caixa da Casa de Tavares Bastos. Enquanto esses processos tramitam com velocidade obstruída pelos conhecidos recursos jurídicos de sempre, novos escândalos se sobrepõem. E sempre falta dinheiro para pagar alguma obrigação inadiável, e sempre se apela ao governo por mais recursos... Grave é a situação ? de Alagoas, pois com uma voracidade dessas não há orçamento que resista.