Opinião
Outra manifesta��o da dualidade �tica
Uma nova pesquisa de opinião coloca mais lenha na fogueira eleitoral. Dilma Rousseff, apesar de bombardeada de forma mais feroz que a Faixa de Gaza, teima em não perder pontos. Segue favorita para desespero da autoproclamada ?elite branquinha?. Os ataques recrudescerão, é certo. Na falta de fatos, é aposta certa a intensificação da indústria de factoides, com a invenção, pura e simples, de ?escândalos?. Veja aquela tresloucada hebdomadária: a cada sete dias, vomita ódio em volume cada vez maior, e, a cada pesquisa, o rancor ganha fôlego como resposta a ?não queda? da presidente. Nem medo do ridículo têm mais. Como se não bastasse terem tentado transformar em ?fraude? uma banal media training, os próprios gigantes midiáticos tupiniquins se esqueceram que eles mesmos noticiaram como procedimento normal a mesma prática de treinamento. E nem é coisa de um passado longínquo. Pois, no dia 5 de junho deste ano de 2014, o jornal Folha de S. Paulo noticiou como coisa banal (e o é) o uso da mesma fórmula, pelo PSDB, como preparação para outra CPI. Noticiou a Folha, em manchete do Painel: ?Governo de SP treina parlamentares do PSDB para defendê-lo de CPI mista?. O texto listava os parlamentares tucanos que ensaiariam com integrantes do governo paulista as supostas perguntas e respostas possíveis de serem previstas. Nem a Folha, nem qualquer revista semanal, nem sites, rádios ou TVs, notou, na notícia sobre a media training feita pelos tucanos para melhor enfrentar a possibilidade da CPI do Metrô paulista, quaisquer irregularidades. Em verdade, não existia dolo. Como não existiu dolo no caso semelhante supostamente ocorrido como treinamento para a CPI da Petrobras. E mais, no caso do metrô paulista, conforme atestam os processos, trata-se de inegável e indisfarçável ato de corrupção milionária; no caso da Petrobras, segundo as denúncias, trata-se de um óbvio negócio ruim que causou duro prejuízo. Mas o que passou a ser objeto de discussão é a criminalização do procedimento da media training. E mais uma vez manifesta-se a dualidade moral dos poderosos. Um mesmo procedimento passa a ser doloso ou não a depender de quem venha a lançar mão dele.