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Opinião

Um problema que s� tem ganhado tempo

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Há uma semana, neste mesmo espaço, comentávamos sobre as ?grandes esperanças enterradas à beira-mar?, e destacávamos que ?depois de um tempo precioso desperdiçado, finalmente, foi retomado o processo de transferência dos ocupantes da Favela de Jaraguá?. Sete dias depois, devemos constatar que mais sete dias somaram-se ao tempo desperdiçado. Não só a favela continua como dantes, como é verossímil a suposição de que a população do local pode ter aumentado. Afinal, a regra é clara e de fácil entendimento: se o poder público oferta uma residência nova a quem desocupar a antiga moradia, quem reinventar-se como morador do pedaço corre sério risco de amealhar um imóvel novinho em folha. Lógico que o poder público deve ter implantado um sistema eficiente de controle para evitar esse tipo de golpe, afinal esse procedimento é um velho conhecido de quem quer que milite no amplo espectro das causas sociais. E que não se critique os despossuídos que intentam essa arataca, pois aos excluídos a miséria, a marginalização e demais dificuldades de vida ensinaram métodos desesperados para lograrem êxito na batalha cotidiana pela sobrevivência. Os poderes públicos são os responsáveis para fazer cumprir os acordos, e a fazer valer as decisões ? mesmo quando antipáticas e impopulares. Os poderes públicos são exigidos, exatamente, quando não existe o consenso. Sem uma opinião consensual (coisa rara em qualquer grupo social), cabe a definição de acordos por decisão da maioria. E o acordado tem de ser cumprido por todas as partes sob pena de graves prejuízos para todos. A permanência de um grupo na área acordada para a desocupação representa um enorme prejuízo para a imensa maioria. Perdem os cofres públicos, depois de um investimento (em centenas de apartamentos) frustrado; perde toda a cidade, pois uma área urbana estratégica continuará apartada, isolada, de todas as opções de uso sustentável do solo; o prejuízo da cidade, neste caso, também se dá pelo enraizamento e fortalecimento dos grupos do crime (organizado ou não) que usam a área como base de operações e, finalmente, perdem os moradores honestos que podem estar sendo forçados a ali permanecer como garantia de que os ?negócios? não percam um perímetro tão valioso.

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