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Opinião

TRIBUNO DA LIBERDADE

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Os penalistas cultivam a arte da palavra e fazem da tribuna o púlpito de suas teses, de suas emoções e de suas conquistas profissionais. Seus traços biográficos se consolidam através dos julgamentos de sua trajetória, pontilhados por episódios memoráveis. Nada escapa ao olhar humano da história, os cenários da época, os detalhes processuais, seus personagens, os adversários enfrentados, os lances decisivos e os resultados proclamados pela Justiça. O recente falecimento do renomado advogado Gustavo Tavares, na cidade do Rio de Janeiro, aos 80 anos de idade, representou uma perda para a comunidade jurídica brasileira, faz lembrar os traços predominantes de sua personalidade e o brilho de sua atuação profissional. Seu nome pertence à galeria dos famosos advogados, edificada pelos exemplos de Evaristo de Moraes Filho, Evandro Lins e Silva, Sobral Pinto, Heleno Fragoso, Augusto Sussekind de Moraes Rego e de outros que honraram o exercício da profissão, pelo saber, pela dignidade e pela firmeza de uma nobre vocação. O criminalista Nélio Machado, perante o Conselho da OAB?RJ, em sessão de homenagem a Gustavo Tavares, exaltou sua figura altiva lembrando que, ele não falava, perorava dando calor a seus pontos de vista. A tribuna o acompanhava simbolicamente e seus sonhos contemplavam a defesa dos que dela necessitassem. Atuou em causas de grande repercussão, como a chacina de Lins Vasconcelos, o desaparecimento de Dana de Teffé, o assassinato de Aída Curi, as tragédias de Cláudia Lessin Rodrigues, Angela Diniz e Daniela Perez. Ao lado de Evaristo de Moraes Filho, defendeu políticos perseguidos pelo regime de exceção, como os ex-presidentes Juscelino Kubitschek e Fernando Henrique, os jornalistas Hélio Fernandes, Carlos Heitor Cony, e muito outros. Integrou o Conselho Federal de OAB, Presidiu o Conselho Penitenciário do RJ e foi professor de Direito Penal. Tinha especial afeto aos colegas de profissão, se destacou pela sua candente argumentação, inconfundível gesticulação e solidariedade às causas que abraçava. Os grandes Tribunos não silenciam definitivamente, levam para o túmulo o eco de suas palavras. Notadamente, quando suas orações estiveram sempre em defesa da democracia, da liberdade e da justiça.

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