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O T�DIO

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Voluntários foram deixados sozinhos em uma sala, um de cada vez. O cômodo não tinha decoração, telefones ou revistas. O desafio era não fazer nada. A meta era aguentar 15 minutos. A maioria desistiu ou relatou um profundo sofrimento durante a experiência. Quão ruim é ficar alguns minutos sem nenhuma atividade? Em outra fase do estudo de Harvard, as pessoas podiam optar por levar choques para se distrair. 67% dos participantes preferiram os choques. Com a explosão das novas tecnologias eletrônicas, principalmente os onipresentes celulares, é cada vez menos frequente alguém se permitir ficar totalmente à toa. O tédio parece ser a maior vítima da revolução digital, correndo sério risco de entrar em extinção. Para descobrir porque o tédio é um inimigo tão temível, é preciso entendê-lo. Primeiro é importante diferenciar tédio verdadeiro de tédio forçado. O forçado é o mais comum e cotidiano. É o da espera no banco, o da aula chata, o do trânsito. Mesmo quando autoinfringido, o tédio forçado não é autêntico. Um mosteiro no interior de São Paulo oferece a qualquer um que tenha coragem a experiência de um fim de semana de monge, com 48 horas de meditação. A maioria dos participantes, mesmo voluntários, não aguenta 2 horas. Alguns, relatam os monges, saem literalmente correndo. O tédio verdadeiro é o livre. É aquele que você sente quando tira suas tão sonhadas férias e, de repente, olha pro lado e diz ?não tenho nada pra fazer?. O melhor dos livros se torna chato após algumas páginas, os filmes parecem todos iguais, todo mundo está trabalhando e você... Será que não tem alguma coisa quebrada em casa pra concertar? Esse tédio, o essencial, é um reflexo vitalício de uma ruptura acontecida cedo na vida, mas que não pode nunca ser superada. A criança só se entedia se impedida de ser criança. Deixada livre, tem um poder infinito de se entreter, o que costumamos chamar de brincar. Ao deixar a infância, o adulto enfrenta um mundo novo, cheio de lutas e cobranças, mas, se deixado alguns minutos sem fazer nada, percebe que o pior do seu universo é nele inexistir algo tão pleno a ponto de se desejar eterno. Fugir desesperadamente do tédio serve a um propósito importante, evita pensamentos incômodos, como o que insiste em lembrar que uma pretensa vida eterna teria como incontornável senão o próprio tédio.

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