Opinião
O mundo coberto de penas das guerras
Neste ano, quando é lembrado o centésimo aniversário do início da chamada Primeira Grande Guerra Mundial, o mundo se vê envolvido pelo velho e sangrento manto dos conflitos armados. Especialmente o Leste da Europa e o Oriente Médio, e determinadas regiões da África se veem presas à novas carnificinas produzidas por ódios antigos. A diplomacia internacional, quando do centenário da guerra mundial principiada em 1914, continua pouco ou nada contribuindo para amainar os combates e/ou as agressões pura e simples contra civis. Irônico é lembrar que, há um século, aquele conflito iniciado com o atentado perpetrado em Sarajevo e estendido até o ano de 1918, foi apresentado como ?a guerra para acabar com as guerras?. Pelo menos dois dos elementos geopolíticos explosivos presentes na Grande Guerra de 1914-1918 podem ser reencontrados nos combates infindos de (até) hoje: a instabilidade no Oriente Médio e no Leste Europeu, e a incapacidade das grandes potências realizarem entre si acordos exequíveis. Há um século o Oriente Médio se agitava em combates tribais sob a derrocada do Império Otomano. Estimulados pelos britânicos, muitas tribos árabes se levantaram em armas por uma independência difusa e confusa, desde antanho, no redesenho de suas fronteiras imprecisas por conta de disputas étnicas milenares. Há um século também incandesciam as fronteiras do Império Tzarista e a Grande Rússia, cuja estrutura medieval não resistiria como tal para assistir ao final daquela guerra por conta da Revolução Bolchevique de 1917, mas como dantes, nunca um acordo real foi costurado para as muitas fronteiras entre os povos eslavos. Há um século o fórum internacional principal, a Liga das Nações, decorativa e incapaz de mediar os conflitos, soçobrava, tragada pelas ondas incontroláveis das guerras ?transnacionais? e pela ganância e falta de empenho das nações mais poderosas num esforço pela Paz. Ontem foi assim. E hoje? Só para citar novamente os dois exemplos, o Oriente Médio continua sangrado por guerras intestinas e as áreas orientais da Europa continuam em chamas. E as nações poderosas? O que fazem para (de verdade) darem fim, ou ao menos reduzirem, esses conflitos assassinos? Do sucedâneo da finada e impotente Liga das Nações, infelizmente, nem é bom falar...