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Opinião

Perda irrepar�vel

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Aos 49 anos de idade, o pernambucano Eduardo Campos era o político brasileiro mais promissor das gerações abaixo dos 60. As pesquisas de opinião não faziam jus a seu potencial, o que é compreensível devido a polarização atual. Nestas eleições, o espaço estava, desde antes, muito reduzido para um terceiro caminho. Mas Eduardo Campos não se intimidou com a bipolarização entre PT e PSDB. Apostou no futuro através de uma vigorosa campanha no presente. Irradiava ânimo e esperança, mesmo que seus índices teimassem em permanecer abaixo dos 10%. Não desanimava. Mesmo quem nele não queria votar nestas eleições de 2014 o visualizava como um inevitável presidente da República. Em 2018 estaria com 53 anos, uma idade ainda considerada abaixo da média para o mandato presidencial em qualquer lugar do mundo. A perspectiva lhe era generosa ? por que não dizer, radiosa. Mas a imprevisibilidade reafirmou sua soberania, talvez trazendo à tona a velha discussão se ?as coisas (da vida) estão escritas ou não?. Reconheça-se a proeminência do esoterismo para explicar, ou justificar, um corte tão abrupto numa carreira fulgurante. Mas o fato, incontornável, é que a principal esperança para o rompimento da dicotomia entre petistas e tucanos se foi repentinamente. O futuro imediato está, novamente, sem novos nomes no horizonte. Não é o caso, agora, nestas linhas, adentrar a análises do cenário eleitoral que se descortina. Teremos tempo para ir avaliando isto. Esta é a hora para se lamentar a perda do Brasil e exprimir solidariedade para com a família desse notável político. Todo o resto, por mais importante que seja, deve ficar para depois. Um país só tem a ganhar com a multiplicidade de suas lideranças, pois essa é a essência da dialética da renovação. Não se fala aqui de purezas, nem de santidades, e sim de homens e mulheres, dotados de virtudes e pecados como todos seres humanos, que se destaquem na seara política e que sejam capazes de se fazerem legítimos representantes de grandes parcelas da população. Essa pluralidade, viva e dinâmica, é a sustentabilidade da democracia. Mas líderes não se fazem de uma hora para outra, são gestados sob provações, amadurecidos nos grandes embates. Com a perda de Eduardo Campos, todo Brasil perde e o universo político fica mais empobrecido.

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