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CRIST�OS NO IRAQUE

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Estamos perplexos com as guerras e a carnificina que têm acontecido em alguns países do Oriente Médio. As notícias chegam e o sentimento é de tristeza diante das mortes e da falta de diálogo que proporcione uma transformação desta realidade. No Iraque, temos visto a perseguição religiosa de cristãos, yazidis, curdos xiitas e outras minorias religiosas. Estas últimas, pouco conhecidas entre nós brasileiros, possuem expressões de religiosidade que divergem da maioria muçulmana daquele país e por isso também estão sofrendo preconceitos intolerantes. Quando começaram os ataques, procurei me informar do que tem acontecido com meus irmãos da fé cristã. Constatei a maldade humana por eles experimentada: massacre por motivos de pertença religiosa, práticas execráveis da decapitação, da crucifixão, de cadáveres pendurados em locais públicos; ou a escolha imposta para a conversão ao Islã, o pagamento de uma taxa ou o êxodo. Além disso, há a expulsão forçada de dezenas de milhares de pessoas, crianças, idosos, mulheres grávidas e doentes; rapto de jovens como troféu de guerra; imposição da prática bárbara de infibulação; destruição de locais de culto e mausoléus cristãos; ocupação forçada ou profanação de igrejas e mosteiros; retirada de crucifixos e de outros símbolos sagrados; destruição de patrimônio religioso cristão de valor inestimável; desmedida violência com o objetivo de aterrorizar as pessoas e obrigá-las a renderem-se ou fugir. Através das redes sociais, vi imagens de padres, sacerdotes como eu, que morreram decapitados ou crucificados por causa da fé. Ali, rezei por um padre que conheci na Jornada Mundial da Juventude no ano passado. Fomos juntos no mesmo metrô para a missa com o Papa na Catedral do Rio de Janeiro, e ao tirarmos uma foto, pediu-me que não a publicasse na Internet. Questionado pelo motivo, disse-me que poderiam rastreá-lo, e para estar ali com os jovens do Iraque, havia informado ao governo que estavam em viagem de turismo. Ele, um padre de um país de maioria cristã, estava em missão no Iraque para tentar manter a fé católica naquela localidade. Hoje, não sei se ainda continua vivo. O que dizer diante de tudo isso? Esses são os mártires do nosso tempo! A recompensa? O céu. Eu creio!

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