Opinião
O furor midi�tico da n�o-not�cia
Em decorrência do tremendo impacto do acidente fatal que vitimou Eduardo Campos, candidato a presidente da República, e mais seis seus companheiros de campanha ? Carlos Leal Filho, Alexandre Silva, Geraldo Cunha, Marcos Martins, Pedro Valadares e Marcelo Lyra ? os fatos retornaram às manchetes. Durante mais alguns dias, a comoção nacional forçará a reaproximação da mídia elitista com a verdade dos acontecimentos. Mas é certo que a indústria de factoides retornará a sua produção de inverdades o mais rapidamente possível. A cada nova pesquisa, atestando que Dilma Rousseff não perdeu pontos significativos depois de uma saraivada de ataques, nova saraivada é disparada. Já sem munição de qualquer espécie, vale o invencionismo mesclado ao sensacionalismo. E, infelizmente, a respeitabilidade da imprensa vai se esgarçando como um todo, pois os veículos embarcados nessa aventura rancorosa servem, de fato, como referências para a comunicação no Brasil ? para o bem e para o mal. Nos últimos dias voltou à tona o caso do cidadão apontado como ?doleiro? e mais uma personagem é extraída do desconhecimento e transformada em celebridade instantânea pelo artifício mágico do ?testemunho ocular?. Quase simultaneamente, foi espocado o ?escândalo da fraude na Wikipédia?, praticamente emendado no ?escândalo da fraude nas perguntas da CPI? ? duas estupidezes. Tantos são os factoides produzidos que mais de um é vomitado por semana, tal é o furor manipulador. É a tal ?bomba semiótica da não-notícia? numa prática de um tipo de jornalismo que se baseia ?exclusivamente em fontes onde o próprio repórter pode criá-las para turbinar sua pauta?. Não é invenção nova, obviamente. Apenas nesta eleição a não-notícia tem virado manchetes em ritmo alucinante, apoplético. Nesta campanha, antecipada pelos tucanos há dois anos, não existe limites para o ?bombardeio semiótico?. Como diria aquela composição musical, para a oposição elitista brasileira, ?é pau, é pedra, é o fim do caminho?, e, no desespero, lança mão de tudo, toda hora. É a grande indústria do factoide parindo inverdades e ódios com cada vez mais destempero.