Opinião
P�s-trag�dia, quais as mudan�as no cen�rio?
Ainda sob a comoção da morte trágica de Eduardo Campos e seus seis acompanhantes, fervilha a discussão sobre o ?dia seguinte? na campanha para a presidência da República. Quem o substituirá? Quais efeitos podem ser previstos para a corrida sucessória? Evidentemente a substituição definirá as perspectivas de alteração na disputa presidencial. Inevitavelmente, o nome de Marina Silva é o primeiro (e único, até prova em contrário) a ser discutido. Ungir Marina não será simples para o PSB e para boa parte dos partidos que se perfilaram em torno de Eduardo Campos. Trata-se de uma mudança radical com efeitos fáceis de serem previstos, em primeiro lugar, em termos programáticos. Ele e ela representavam campos opostos no tocante aos caminhos para o desenvolvimento no Brasil (e no mundo). Em segundo lugar, os dois tinham poucos pontos em comum no quesito política e já trombaram mesmo antes do início da campanha. Alagoas é um dos exemplos de lugares nos quais Eduardo e Marina seguiam vias opostas; São Paulo é outro palco no qual não subiam juntos o então candidato a presidente pelo PSB e sua vice. Marina Silva não tem nada a ver com o PSB, sua presença na sigla é ululantemente um arranjo eleitoral, costurado às pressas quando o novo partido dela, Rede Sustentabilidade, ficou insustentável perante a Justiça. Porém, apesar de todos os desencontros, Marina ? até prova em contrário ? detém um patrimônio de votos maior que Eduardo Campos. As pesquisas, até quando o nome dela era colocado nas planilhas, revelavam percentuais bem maiores para a ecologista que para o socialistas. Embora não tenha validade como comparação científica, chama a atenção o fato de que ele mantinha-se aferrado a menos de 10% (9% nas últimas pesquisas), enquanto ela cravou 19% na eleição presidencial passada. Caso confirmada como candidata, Marina poderá garantir a realização do segundo turno, repetindo ? no mínimo ? a performance de 2010, quando evitou que a estreante Dilma conquistasse a vitória no primeiro turno. Essa é uma evidente primeira modificação real nas estimativas, antes das pesquisas poderem dar um ar de ciência às especulações. No mais, hoje, o futuro imediato é só suposição e exercício de dons proféticos. Mas, em se baseando na aritmética mais simples, se Marina for ungida pelo partido-hospedeiro, o segundo turno desponta no horizonte.