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Opinião

TURISMO E GASTRONOMIA

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Turismo e gastronomia se confundem. Quantas vezes os viajantes não pensam em voltar para Maceió por conta do camarão no coco, ou para Manaus por conta da costela de tambaqui, para Minas para tomar aquela cachaça que desce macia ou para o Rio Grande do Sul para comer mais uma vez um churrasco no chão? A qualidade da comida e da bebida frequentemente é o que faz o turista decidir voltar ou jurar nunca mais botar os pés naquele destino, é um dos principais cartões de visitas das cidades, regiões e do próprio País. A gastronomia está na linha de frente da recepção de viajantes e tem a difícil tarefa de fisgá-los pelo estômago ? literalmente. Na Copa do Mundo, a gastronomia brasileira cumpriu com louvor e distinção esse papel. Uma pesquisa da Fipe e do Ministério do Turismo ouviu 10 mil turistas estrangeiros durante o Mundial. O levantamento constatou que, a gastronomia foi a segunda atividade mais realizada pelos visitantes de fora do Brasil ? ficou atrás apenas da praia, mas com o nosso litoral não dá mesmo para competir, os alagoanos bem sabem. E 93% deles gostaram do que comeram no País. O grau de aprovação dos brasileiros foi semelhante ? 90%. Hoje a comida e a bebida assumem cada vez mais o papel de embaixadoras do País, de símbolos de tudo aquilo que somos ou queremos mostrar que somos. A combinação singular de diversidade cultural e biológica do Brasil nos deu alguns dos melhores chefs do mundo ? de fato, a melhor chef do mundo em 2014, a gaúcha Helena Rizzo; o inovador Alex Atala, os nossos queridos conterrâneos Chefs Guga Rocha, Wanderson do Picuí, Simone Bert, Jonathas Moreira, e várias estrelas em ascensão em tantas outras cidades. Nenhum outro País do mundo tem açaí, nem taperebá, nem castanha de baru, e muito menos gente habilitada a trabalhar esses ingredientes como os brasileiros. A força desse setor, no entanto, não está somente nas combinações de sabores da alta gastronomia, é claro. Para o turista, a memória afetiva é fundamental. A experiência de ser bem atendido, da mesa de um restaurante renomado ao boteco de balcão de alumínio que sempre tem a cerveja mais gelada do mundo, pode ser tão importante quanto aquilo que lhes é servido. O turismo no Brasil está entrando num novo ciclo e temos um enorme desafio pela frente. A ideia é tornar os brasileiros embaixadores da culinária brasileira, da mesma forma como os peruanos propagam a gastronomia andina nos últimos anos. Mais, integrar completamente esse ativo brasileiro que é a boa mesa com a excelência na prestação de serviços e uma política agressiva de promoção doméstica e internacional da marca Brasil. Temos, finalmente, o mapa dos sabores e das festividades culturais que melhor expressam a força dos ingredientes de nossa agrobiodiversidade. A qualificação profissional e a inovação são essenciais aqui. O setor de bares e restaurantes sempre foi muito eficiente em criar empregos, mas é preciso investir na formação dessas pessoas. Isso é papel de todos, do governo e da iniciativa privada. Parte disso está sendo feita com o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego Institucional (Pronatec), mas é preciso um esforço aí da maioria, para habilitar as pessoas que trabalham em todos os patamares de serviço no setor a gerenciar o ótimo legado da Copa e da Olimpíada. Vale frisar: 95% dos turistas estrangeiros no mundial de futebol afirmaram que pretendem voltar ao País. Com qualificação e promoção adequadas podemos agregar valor à marca Brasil com os sabores e qualidade de serviços dos nossos bares e restaurante. Os ingredientes já temos. Agora basta misturar na medida certa, ?levar ao forno?, esperar o tempo adequado para prender o turista literalmente pelos sentidos. Todos os sentidos.

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