Opinião
Esperteza verde sob um momento brumoso
Confirma-se o escrito neste espaço, no domingo: Marina Silva não só se afirma como a inevitável substituta de Eduardo Campos na corrida presidencial como reafirma sua força em intenção de voto. No calor das emoções, em pesquisa realizada pelo Datafolha e divulgada pela TV Globo, fez pular o percentual do PSB de 9% para 21%, e ? pasmem ? indicou a possibilidade de superar Dilma Rousseff num hipotético segundo turno. Naturalmente a comoção imensa pela morte de Eduardo Campos carreou declarações pró-Marina, mas, na presidencial passada ? como aqui posto anteontem ? ela já havia cravado reais 19%, ou 20 milhões de votos. Política cada vez mais habilidosa, apesar de fazer questão de teatralizar certo ?ranço? com a atividade que abraçou como sua profissão, Marina Silva não perdeu tempo; e sobre as cinzas ainda fumegantes do acidente em Santos, lançou-se à lide para não deixar dúvidas de que seu nome seria o ungido. Ainda no dia 15, sexta-feira, deu a público a informação de que ?convidaria Renata Campos [viúva de Eduardo] para a candidatura de vice-presidente?, segundo noticiou o site da revista paulista Piauí. Era a forma de amarrar a família enlutada a seu nome e, ao mesmo tempo, colocar na defensiva a maioria dos dirigentes do PSB. Apesar de ser inegavelmente a substituta natural para o ex-governador de Pernambuco, Silva não quis arriscar nada, afinal seguro morreu de velho. Sabedora de que o partido que a acolheu tem toda a certeza que ela nada tem a ver com a sigla, muito menos com os princípios programáticos, nem com a política do PSB, Marina encostou na parede a ?velha guarda? do Partido Socialista Brasileiro, reduzindo a uma quase inaudível voz a fala da direção nacional informando que ?só iria decidir a questão [de quem substituiria Eduardo Campos] na hora adequada?. Já estava decidido, para ela e a Rede dela, desde que a notícia do terrível acidente foi confirmada ainda no aziago dia 13. Apesar dos números pesquisados estarem turbinados pela emoção do momento e, mais tarde, virem a se ajustar com o andamento da campanha, é certo que agora Marina está em seu habitat. Ela tende a concentrar os votos conservadores com uma naturalidade que Campos jamais teria e nem mesmo Aécio a tem. Temos um novo cenário, sem dúvida.