Opinião
IDOLATRIA DO TER E DO PODER
Após ler artigo do amigo, Pe. Pedro Teixeira Cavalcante, publicado neste Jornal Gazeta de Alagoas, de 3 do corrente mês e ano, titulado ?O Profeta Oseias e a Idolatria?, comecei a meditar sobre o assunto e logo me veio a ideia de aprofundá-lo, principalmente no que diz respeito ao ter e ao poder. O interessante é que tudo que o profeta diz sobre Israel daquele tempo, pode e deve ser aplicado ao nosso tempo, ao tempo de hoje, como bem salienta o nosso sacerdote e teólogo. E o exemplo vamos encontrar, com bastante potencialidade, durante as tentações do diabo a Jesus, nos quarenta dias de penitência, antes de começar a sua vida pública, numa verdadeira idolatria do poder/autoridade. Não podemos dissociar o poder, eticamente falando, da ideia de autoridade, visto que pela quantificação do poder, pode-se medir a força da autoridade nas relações em que se manifesta. Logo, não deve pairar dúvida, de que as ideias de autoridade e poder estão intimamente ligadas a uma satisfação ética, que denominamos vontade. Daí afirmar Gustavo Korte, em texto publicado na Revista Brasil-Alemanha: ?A manifestação da autoridade, tanto diante de quem quer como de quem não quer, prevalecerá somente se a quantidade de forças que definem o seu poder bastar para vencer as que lhe são contrárias?. Assim é que, em cada um de nós, enquanto ser humano e variando quantitativamente, pode ser observado um dever ético, que se revela na tentativa de realização do que lhe aparenta justo. Não esqueçamos de que a autoridade e o poder somente poderão ser quantificados e medidos, após testados frente aos fenômenos sobre os quais têm potencialidade e presumida capacidade de resolução. É fácil, pois, a conclusão de que a formação moral individual é a segurança e o limite da ética no ter e no exercício do poder/autoridade. Tudo fica a depender da força moral ou grandeza ética de quem detém o tal poder/autoridade, para que haja equilíbrio no que é reto, impossibilitando que as forças imorais ? a corrupção e a vontade de corromper ? atuem negativamente no caminho da ética e do justo. Vivemos em um mundo em que o ter sufoca a razão do ser, capaz de construir um mundo melhor e uma sociedade igualitária, tendo a ética e o justo como alicerces de um novo tempo, um tempo de amor e de paz. Assim, direcionado nesse contexto, vamos encontrar pessoas tão sedimentadas no ter, que só conseguem viver e conviver com a autoridade, com o poder, ou seja, não conseguem caminhar fora das sarjetas do ter e do poder/autoridade.