Opinião
Sob as asas da impunidade
Seguindo a trilha dos demais detidos, foi liberado o último envolvido com o transporte de meia tonelada de pasta de cocaína. Único ainda preso, ganhou a liberdade o helicóptero usado para transportar a droga através de decisão do Tribunal Federal Regional do Rio de Janeiro, reformulando decisão de primeira instância e devolvendo a aeronave usada pelo tráfico para os proprietários. E de quem é a propriedade do ?helipótero? ou ?helicoca?? Uma badalada família de empresários e políticos mineiros ? os Perrellas ? aliados do candidato tucano a presidente da República, Aécio Neves. Apesar de muito pouco noticiado pela autointitulada ?grande mídia? o caso conseguiu ter alguma divulgação pelas redes sociais quando o helicóptero em questão foi flagrado pela Polícia Federal carregado com 443 quilos de pasta de cocaína, ao aterrissar no município capixaba de Afonso Cláudio. Na ocasião foram presos em flagrante, além do piloto, mais outras três pessoas envolvidas diretamente no transporte da droga. As pessoas detidas então, em flagrante delito, pelo tráfico de tão grande quantidade de pasta de cocaína (matéria-prima que seria multiplicada em toneladas de cocaína em pó e crack) não esquentaram lugar na cadeia e foram detidas antes mesmo de serem ouvidas pelas autoridades judiciais. A aeronave, ironicamente, foi a única a permanecer detida. Agora bateu asas e, livre e solta, também voará para local certo e sabido, longe dos constrangimentos que poderiam ser causados pelo crime. Independente das grandes interrogações despertadas pelas consequências dos trâmites jurídicos que liberaram todos os envolvidos no caso ?helicoca?, chama muito mais a atenção de quem queira se interessar pela democracia e pela cidadania real o silêncio que se alastrou pela autodenominada ?grande mídia? sobre esse assunto. Parece que nada significa o flagrante dado sobre o tráfico de meia tonelada de pasta de cocaína em uma aeronave de políticos amigos, aliados e eleitores de um candidato a presidente da República! Nenhuma manchete, nada de reportagem especial, nenhuma capa de revista ? veja bem, nem aquela hebdomadária sensacionalista dedicou espaço considerável a esse escândalo. Onde se escondeu, para este caso, o famoso ?jornalismo investigativo? que tanto ?orgulha? os veículos midiáticos centrados no eixo Rio/São Paulo?