Opinião
AMOR ACABA
Uma das mais famosas crônicas do jornalismo brasileiro, de título sugestivo O amor acaba, de autoria de Paulo Mendes Campos, continua sendo lembrada e comentada pelos críticos e admiradores deste inspirado ensaísta de temas líricos e existenciais. Mineiro de Belo Horizonte e radicado na cidade do Rio Janeiro, onde viveu o apogeu de sua vocação de escritor e colheu aplausos que consagraram seu nome. Ali, conviveu com um seleto grupo de intelectuais e boêmios que incentivaram sua inspiração tocada pelos cenários, personagens e encantos da cidade maravilhosa. A focalizada crônica fala da vocação surpreendente e circunstancial das relações afetivas, do destino efêmero das construções sentimentais, das repentinas dissoluções, pelas mais diferentes razões, desde os motivos mais simples aos complexos desencontros dos corações apaixonados. O amor acaba em qualquer lugar, a qualquer hora, repentinamente, sem sinais prévios, muitas vezes através de gestos inexplicáveis, de atitudes contraditórias, dando um gosto de poesia às dores das separações. Como traduzem as palavras sentimentais do grande poeta português Fernando Pessoa ? como nuvens pelo céu passam os sonhos por mim, nenhum dos sonhos é meu, embora eu os sonhe assim.?. A mais conhecida e afortunada reflexão da antologia poética brasileira, da lavra de Vinicius de Moraes, fixou uma sentença sobre o amor, no reconhecimento de que não seja imortal, posto que é chama mas seja infinito enquanto dure. A mais aplaudida expressão da dramaturgia brasileira, Nelson Rodrigues, de alma sempre extremada, no entanto, disse de forma contestadora ? todo amor é eterno. Se não é eterno, não era amor.?. Numa contundente conclusão, própria, daqueles que amam desmedidamente e desejam perenizar as garras da paixão. O escritor Paulo Mendes Campos imortalizou sua crônica ?O amor acaba?, tornando-a título de um dos seus livros mais apreciados. Consagrou uma lembrança sempre vivenciada, de que o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido. Mas, pode também acabar com doçura e esperança, para renascer em outro lugar. Os bons amantes não se esgotam, teimam em procurar razões para alimentar suas eternas ilusões. O tempo os ensinam a aceitar as injunções que envolvem os sentimentos. As novas descobertas têm o poder mágico de erguer promessas e sugestões de redentoras felicidades.