Opinião
E o mosquito segue vencendo
Juntamente com o caos da Educação, a agonizante Saúde forma o duplo câncer que corrói a condição de vida do alagoano. O descaso criminoso nessas duas áreas essenciais para as políticas públicas tem sido tema de incontáveis denúncias ? todas caídas no vácuo dos ouvidos moucos das autoridades que deveriam ser responsáveis por esses dois segmentos. No caso das políticas públicas para a Saúde, a Gazeta tem detalhado, através de reportagens investigativas incontestáveis a dantesca realidade que se abateu sobre o nosso estado. Como mais um elemento a confirmar o despautério, o próprio boletim da dengue, produzido pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) informa que ?houve um aumento de 206% no número de casos graves da doença, em relação ao mesmo período do ano passado ? de janeiro a agosto?. Contabiliza a Sesau 11 mil registros de dengue e ?18 óbitos suspeitos?. Os números do órgão estadual da Saúde confirmam mais números aterrorizantes, reproduzidos por reportagem da Gazetaweb: ?291 casos graves este ano, e 95 em 2013. Dos mais de 11 mil casos notificados, foram confirmados 6.062, enquanto 2.145 foram descartados. O levantamento aponta ainda que, até o dia 18 deste mês, 291 registros graves da doença ? a exemplo de dengue hemorrágica ? acabaram encaminhados às unidades de saúde do estado, enquanto 2.800 ainda estão sob investigação?. Impressiona também o dado de que todos os 102 municípios alagoanos registram ocorrências da moléstia e todos estão indicados como áreas infestadas pelo vírus e, obviamente, pelo mosquito transmissor. As mortes estão assinaladas como ocorridas nos municípios de Junqueiro, Maceió, Monteirópolis, Murici, Paulo Jacinto, Piranhas, Santana do Ipanema, São Miguel dos Campos e Satuba. O mais chocante é saber que, há muitos anos, o ciclo de reprodução e transmissão da dengue está detalhadamente identificado, assim como são conhecidas as formas de combate, cuja forma preventiva é executada pelo controle da reprodução do mosquito Aedes Aegypti. Igualmente impacta saber-se que muitos recursos têm sido carreados para essa batalha até agora perdida ano após ano, verão após verão. É uma dupla derrota: desperdiça-se dinheiro público e esforços dos agentes de saúde; e a doença só faz crescer.