Opinião
A CRISE NA EDUCA��O
Professor por vocação há mais de três décadas, venho acompanhando com tristeza e preocupação, o declínio progressivo da Educação em nosso estado. Segundo dados estatísticos confiáveis, Alagoas é o estado com o mais baixo índice de desenvolvimento do ensino básico. Como se não bastasse, possuímos o maior número de analfabetos dentre os demais estados da Federação. Em que pese à propaganda institucional, a realidade é bem diferente. O meu tio José da Silveira Camerino, cognominado pelo professor José Medeiros ?um mestre de gerações?, costumava dizer que ?contra fatos não há argumentos?. Em recentre trabalho realizado pela Promotora de Justiça Cecília Carnaúba, ficou demonstrada a gravidade da situação. Escolas que não ofertaram o ano letivo por causa das anunciadas reformas; mobiliários insuficientes; 70% das escolas só concluíram o ano letivo em 2014, prejudicando 50.995 alunos; 30,8% das escolas não ofertaram disciplinas obrigatórias; 95,2% das escolas apresentam graves problemas estruturais mesmo após as reformas. Tivéssemos devotado à Educação o respeito merecido, por certo não estaríamos amargando tamanha humilhação. É inconcebível que na terra de Graciliano Ramos, Jorge de Lima, Pontes de Miranda, Leda Collor de Mello, Jaime de Altavila, Marcos Bernardes de Melo e Aurélio Buarque de Holanda e tantos outros não menos notáveis alagoanos, não sejamos capazes de reverter esta humilhante situação. Para atingirmos tal objetivo, o primeiro passo é reconhecer os erros cometidos, evitar a transferência de responsabilidade, e, com determinação, formarmos uma grande corrente em defesa da nossa Educação. Saúde, Segurança e Educação não podem ser usados como capital político na formação de equipes de governo,esses assuntos devem ser tratados por profissionais com formação especializada. Enquanto não tivermos a capacidade de reconhecer a importância de nossos professores, dando-lhes condições efetivas de trabalho, o Estado vai continuar fazendo de conta que oferece educação de qualidade, e os nossos jovens vão acreditar que estão aprendendo o suficiente para torná-los cidadãos capazes de enfrentar as dificuldades na disputa por oportunidades de emprego e renda. Chega da contratação de consultorias milionárias para dizer o óbvio ululante. Se quisermos realmente tirar o nosso estado do pódio do subdesenvolvimento, o único caminho é tomar consciência de que sem priorizar a Educação não haverá solução.