Opinião
Alta dos juros
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central em sua última reunião elevou a taxa básica de juros (Selic) de 22% para 25% ao ano. A decisão já era esperada desde que a inflação começou a apresentar índices ascendentes nos últimos meses. A equipe do BC manteve coerência com a política adotada desde que o atual presidente do banco, Armínio Fraga, assumiu o cargo, em março de 1999. O aumento da taxa básica de juros provoca um efeito dominó: aumenta a dívida interna do governo, passa um atestado de fragilidade de nossa economia, inibe os investimentos produtivos e estimula os especulativos, além de aumentar os juros cobrados ao consumidor no cheque especial, nos empréstimos pessoais, no cartão de crédito e nas compras a prazo. Sobre a taxa de juros cobrada dos consumidores, o vice-presidente eleito, José Alencar, em duro discurso proferido na Confederação Nacional do Comércio (CNC), afirmou que os ?juros de 8% ao mês, ou 150% ao ano, cobrados dos clientes são um despropósito. Mais do isso um assalto. Nunca houve, na História do Brasil, transferência de renda tão grande em benefício do sistema financeiro. A estabilidade da moeda sempre foi a principal conquista alardeada pelos partidários da política econômica adotada no Brasil pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso. Entretanto, depois de todos esses anos de baixas taxas de crescimento, para não pôr em risco os esforços de estabilização, eis que a inflação volta a mostrar que não foi derrotada, como tinham feito crer os mercadores de FHC. Quanto tempo mais vai durar o período de estabilização? Quanto tempo mais será necessário para que o País possa enveredar pela senda do crescimento econômico? Quanto tempo a esmagadora maioria da população ainda será espoliada e submetida a um regime de obstrução do desenvolvimento? Quando o Brasil conseguirá sair desse círculo vicioso ditado desde FHC? Essas respostas teremos, forçosamente, em breve.