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Opinião

EM DEFESA DO BOLSA FAM�LIA

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O programa de distribuição de renda do governo federal sempre foi um bode expiatório para a crítica conservadora. Agora, com o período eleitoral, mais uma vez, surgirão ?denúncias? de pessoas que não querem mais trabalhar por causa do auxílio. Falar-se-á novamente na criação de uma geração de vagabundos e etc mil. Como muitos dos que endossam essas críticas são inteligentes e sensatos, acredito que, talvez, com um pouco de reflexão sobre o valor moral de tal programa, estas possam se deslocar dessa visão mais radical para um entendimento mais apropriado. De que o Bolsa Família é sim um mal, mas um mal necessário. O iluminismo e o humanismo, temperados com algo de socialismo, criaram o que chamamos hoje de Estado de bem-estar social. Nesse tipo de governança, entende-se que o Estado deve cuidar de seus cidadãos assim como cuidamos de nossos filhos, uma vez que, se o Estado somos nós, se ele é omisso, impiedoso ou cruel, também o seremos. Assim como se espera que um bom pai seja firme com seus rebentos de forma a gerar adultos responsáveis e independentes, estudiosos e trabalhadores, o Estado também não deve facilitar de mais a vida dos não empregados, como acontece em certo grau na Europa, sob risco de que esses prefiram permanecer no seguro-desemprego ou em auxílios ad aeternum. Contudo, se espera de qualquer genitor minimamente dotado de compaixão que na recusa total de um de seus descendentes em trabalhar, a este seja ofertado ao menos o alimento necessário para viver. Se o filho do vizinho é malandro, vê-lo ficar sem roupa nova, academia, mesada e outros luxos é até prazeroso. Nada melhor do que ver preguiçoso sendo colocado na linha. Mas, e se mesmo assim o sujeito não se endireitar? O que deve fazer o vizinho? Tirar mais? E se só restar a comida? Deixa-se o filho não pródigo morrer de fome? Entendo, até, quem acha que o Estado não deve interceder por quem não trabalha, nem no limite da emergência alimentícia, mas, e os filhos dele? Devemos, como sociedade, deixar crianças inocentes passarem fome porque o pai é vagabundo? É a mesma lógica que permeia o ainda mais controverso auxílio dado à família de presidiários. Bandidos não deveriam receber regalias do governo, mas seus filhos são tão inocentes como os nossos. É algo que temos que fazer, mesmo que seja desgostoso, como servir o almoço àquele filho malandrão que passa o dia vendo TV.

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