Opinião
A trag�dia de Campos e as mudan�as no cen�rio
Uma nova pesquisa, desta vez patrocinada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), divulgada na quarta-feira, segue o caminho apontado pelo DIMIbope, e indica uma aproximação de Marina em relação a Dilma (34,2% contra 28,2%), confirmando que Aécio Neves teria ficado para trás, amargando meros 16%. Pelos números levantados pela CNT, no segundo turno, Silva venceria Rousseff por um escore de 43,7% a 37,8%. Brancos e nulos ficariam na faixa dos 17,2%, enquanto 8,7% não quiseram responder. Confirma-se que, no momento, se somam a tradicional faixa de votos de Marina a um pouco da comoção pelo trágico acidente envolvendo Eduardo Campos. O mais significativo dessas pesquisas é o descortinamento de um cenário no qual a principal protagonista seria Marina. Aécio, por essas pesquisas, estaria fora do jogo a mais de um mês da decisão. Neves está perplexo e Rousseff também. O sistema verde, ou melhor, das verdinhas ? o segmento bancário ? parece radiante, pelo que se pode depreender da esfuziante aparição da banqueira conhecida como Neca Setúbal, herdeira e sócia do poderoso grupo Itaú, figura com invulgar brilho, trazida à ribalta como a principal conselheira da verdejante candidata. Saindo à frente mesmo dos ecologistas, o sistema banqueiro já teria assegurado junto à candidata verde o compromisso com a sonhada autonomia do Banco Central, que passaria, na hipótese de Silva ser eleita, a ser gerido por alguém do sistema financeiro sem ter que prestar contas a quem quer que seja. A confirmar. Mas algo preocupante, sem dúvida. Radiante, transbordando de entusiasmo, a antes taciturna Marina surge renovada, como se pode ver no debate patrocinado, anteontem, por uma das redes de TV. Até ajaezada com vistosos óculos vermelhos (retirados rapidamente por determinação, segundo testemunharam os jornalistas presentes, da banqueira-coordenadora), a antes contida e simplória naturalista investiu contra seus oponentes, atacando com especial vigor a esquerdista Luciana Genro, acusando-a de retrógrada (!). Dilma e Aécio, embora com menos intensidade, não foram poupados pela desenvolta Silva. Habilidosa e matreira, uma renovada Marina Silva desponta no horizonte para dar sequência a sua própria performance registrada há quatro anos.