Opinião
Levantar e dar a volta por cima
Notícia ruim, mas poderia ser pior. A economia brasileira recuou ?0,6% no segundo trimestre deste ano, em comparação com os três meses imediatamente anteriores? pelas contas divulgadas na sexta-feira, 29, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Comparando-se com período semelhante do ano passado, o baque foi mais sentido: 0,9%. Mas, no acumulado durante quatro trimestres (um ano, encerrado no segundo trimestre de 2014) a atividade consegue resistir em alta, na faixa de 1,4%. O mais sensível é que a estimativa de expansão de 0,2% no PIB foi redimensionada para 0,2% negativos, o que pelas normas da escolástica econômica pode ser considerado como ?recessão técnica? por se desenhar ?dois trimestres seguidos em queda?. O ministro Guido Mantega contesta a avaliação, negando que ?o PIB este ano esteja murchando, mas falou que o País deve crescer entre 2,5% e 3%? e afirmando que ?o Brasil está sendo vítima da política monetária americana (...); o FED [Banco Central dos Estados Unidos] criou uma turbulência internacional que afetou as bolsas e o câmbio?. Tem suas razões o ministro, mas a grande questão a ser resolvida é acelerar novamente a economia brasileira para evitar a repetição de um revés do nível sofrido quando do fim do mandato de FHC. O sucesso do governo Lula em manter o PIB em alta com a intensificação da inclusão social e da transferência de renda é o grande trunfo da aliança política que, democraticamente, tem conseguido tocar o Brasil há 12 anos. Esse legado não pode ser jogado na lata do lixo. Essa é a questão. Mesmo se considerando as adversidades internacionais, como as ondas de choque geradas pelo processo de recuperação da economia americana, sempre é bom lembrar que essa mesma aliança política logrou êxito, com Lula no leme, em vencer o que a maioria do mundo considerava aquela crise como uma onda avassaladora, do tipo tsunami (lembram-se da contraposição da ?marolinha??). O esforço agora é retomar o crescimento econômico mantendo os processos de distribuição de renda e de inclusão social em massa. Dilma e sua equipe, até por estarem sob forte bombardeio eleitoreiro provocado por seus opositores juramentados, precisam dar respostas firmes, incontestáveis, de que os índices do ocaso da gestão de FHC não se repetirão.