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Nome fulgurante, programa obscuro

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Apesar do inegável talento parlatório da candidata-sensação do momento, também não é possível negar que o salto hercúleo dado por seu nome traz às luzes da ribalta contradições até então mantidas na penumbra das coxias. Inopinadamente catapultada ao centro do palco, sob intenso foco luminoso, Marina exibe falas e gestos dissonantes, conflitantes mesmo, em relação ao programa até então esposado pelo saudoso Eduardo Campos. Esses desencontros programáticos se dão nos mais diversos níveis e refletem algumas verdades incontornáveis. Em primeiro lugar, o que não é nenhuma novidade, Eduardo e Marina jamais tiveram uma pauta comum que fosse além da formação de uma chapa unindo os dois nomes. Nem mesmo a posição dessas duas personalidades díspares era consenso, pois a prócer do inacabado partido Rede, sabia-se mais forte eleitoralmente que o nome de seu companheiro ocasional, este detentor do posto titular; mas ela, sem outra saída, aceitava a vice a contragosto. A visão de ambos para o Brasil, desde antes, era totalmente divergente. A primeira questão é essa: mesmo que prometa de pés juntos, Marina não seguirá o programa exposto pela candidatura de Eduardo ? sua Rede não o sustenta. O segundo quesito é igualmente explosivo: o real programa da Rede, apesar de ainda não completamente oficializado, em sua complicada fusão do naturalismo com o puritanismo, se colocado numa discussão mais ampla, revela seu conteúdo de ?samba do crioulo doido? (com todo respeito a Stanislaw Ponte Preta), numa colcha de retalhos de improvável utilidade. Um tensionamento inicial, apenas uma pontinha do iceberg, tornou-se visível com o recuo atabalhoado da candidata em relação ao ponto de seu programa no tocante ao casamento gay. Não há Rede que seja sustentável ao tentar costurar questões ousadas como essas ao ideário evangélico mais conservador. Ungida pelas pesquisas, celebridade instantânea, Marina Silva, plenamente consciente das profundas contradições reunidas em torno de seu nome, tem a dura tarefa de procurar varrê-las para baixo do tapete (ou do Rede), pelo menos, até o dia seguinte às eleições. Retorna a cartaz um antigo vezo político brasileiro: o personalismo ? tem mais valor o nome que o programa apresentado.

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