Opinião
Quando a inseguran�a ultrapassa os limites
Apesar de não ser novidade as dificuldades, as precariedades, vividas pelas forças policiais em Alagoas, foi um tremendo choque a tragédia que vitimou a soldada PM Izabelle Pereira. Atingida por uma rajada de metralhadora no interior de uma viatura da corporação, a jovem de 24 anos, teve ceifada sua vida no que tudo indica ter sido um terrível acidente causado por erro na manipulação, ou por defeito, da arma que deveria ter a função de garantir sua vida em hipotético confronto com o crime organizado. Não há como justificar uma tragédia desse tipo. Mas explicar, com clareza, como tal coisa pode acontecer é o primeiro dever das autoridades alagoanas. Saber e entender como possa ter ocorrido esse fato terrível é algo muito maior que o desejado pela curiosidade mórbida sempre tão em moda. Conhecer os passos desse acontecimento é a forma de evitar sua repetição, pois ? como em todo acidente de trabalho ? as funções de risco devem ser exercidas com o máximo de cuidados com a prevenção e antecipadas de muito treinamento. Aqui mora o busílis: a quantas anda a formação dos policiais em Alagoas? Quais treinamentos, em qual intensidade e controle, são ministrados aos policiais (civis e militares) de nosso estado? Qual a periodicidade, e critérios, usados para cursos de atualização (e evolução) técnica e profissional oferecidos aos policiais alagoanos? Até as crianças sabem que as armas precisam de cuidados especiais em sua manipulação e que a cada dia esses equipamentos se aperfeiçoam em sua letalidade. A TV, a internet e os jogos virtuais ensinam a um número incontável de aficionados, de todas as idades, o quão é perigoso o uso de armas de fogo. A banalização de seu uso, através de praticamente todas as mídias, tem aumentado indiscutivelmente os riscos de sua utilização. Quem desconhece isso? Será que as autoridades responsáveis pela segurança pública em Alagoas desconhecem a sempre crescente necessidade de prezar pela segurança entre seus efetivos em todas as fases do trabalho policial. Ninguém porta uma metralhadora como se fosse um lápis, ou uma tesoura, ou uma pá. E o mais temerário: a cada dia a sociedade precisa de mais policiais portando armas mais modernas... como fica esse quadro se o treinamento não for adequado?