loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

PRO�LCOOL, PATRIM�NIO NACIONAL

Ouvir
Compartilhar

Acaba de acontecer em Sertãozinho, interior paulista, a tradicional Fenasucro, uma das maiores feiras do setor sucroenergético do mundo. Entre os temas do evento, verifico a intensa preocupação desse importante segmento econômico com o futuro do etanol, este como fonte de energia que ajuda significativamente a mover o nosso País. É sempre bom ressaltar que o etanol, obtido da biomassa, é um dos principais energéticos limpos capazes de substituir adequadamente os combustíveis derivados de petróleo. A recente Fenasucro me faz recordar um momento muito difícil por mim vivenciado como presidente da República. Há exatamente 24 anos, ocorreu em Maceió um evento pioneiro e histórico: o 1º Encontro Internacional de Energia da Cana-de-Açúcar. Era praticamente início de meu mandato presidencial e a produção da cana no Brasil encontrava-se estagnada já há quatro anos. Para agravar ainda mais o quadro, a guerra entre o Iraque e o Kuwait disparou o preço do petróleo no mercado mundial. Eis o cenário a ser enfrentado: a herança de uma hiperinflação de 90% ao mês, a urgente necessidade de modernização da indústria brasileira, o compromisso de promover a abertura da economia e os desafios impostos pelo conflito no Golfo Pérsico. Tudo combinado com o estouro do preço do petróleo e a estagnação da produção sucroalcooleira em nosso País. Como presidente da República, fiz questão de vir a Maceió especialmente para instalar o debate entre especialistas de várias partes do mundo, tendo como foco o potencial energético da cana-de- açúcar. Aquele momento exigia uma definição, pois o Proálcool deveria ser entendido como um patrimônio. A nossa realidade já reclamava, há tempo, da devida velocidade na produção nacional de petróleo, bem como no investimento em pesquisa e no desenvolvimento de tecnologias, de modo a permitir o emprego mais intenso de fontes alternativas e viáveis de energia. O Proálcool, que nasceu do chamado ?choque do petróleo?, em 1973, terminou sendo secundarizado por sucessivos governos, que não conseguiram instituir, a partir daquele fato, uma política energética que suplantasse governos e que se firmasse como algo prioritário e estratégico para o Estado brasileiro. Na presença de quase 400 industriais do açúcar e do álcool, relancei em Maceió o Proálcool. Se a produção brasileira de etanol representava algo em torno de 12 bilhões de litros, naquele instante, então conclamei o setor ao desafio de elevar a produção para 15 bilhões de litros nos anos seguintes. Era a sinalização clara para redefinir a matriz energética nacional pela busca permanente de fontes alternativas e ambientalmente limpas. Por fim, quando vejo o teor do debate travado agora na Fenasucro, revisito o passado e reforço ainda mais minha convicção segundo a qual é urgente a missão de libertar o Brasil de amarras ainda existentes, de modo que se possa apontar imediatamente sua proa para o crescimento, a autosuficiência e o futuro.

Relacionadas