Opinião
Algo mais grave que um terr�vel acidente
Como se suspeitava, pelo menos parte do arsenal da polícia alagoana apresenta problemas. Num levantamento específico feito por peritos da empresa fabricante de armas, a Taurus, ficou comprovado que aproximadamente 20% das submetralhadoras checadas ?apresentaram algum tipo de defeito?. Dessas armas de repetição, calibre 40 S&W, até os leigos sabem sobre seu alto poder de letalidade. A maioria das armas, há muito tempo, possui equipamentos de segurança, como travas, além de ser obrigatório para seu manuseio o devido treinamento. Como um acidente desses pode acontecer dessa forma? A inopinada morte da jovem soldada parece expor um problema de enorme gravidade e não pode ser dissociada de outros acidentes terríveis como a explosão do depósito (improvisado) de explosivos localizado nas dependências da Divisão Especial de Investigação e Capturas/Deic, há dois anos. Naquele acidente, de grandes proporções, ocorrido em 20 de dezembro de 2012, morreu a policial civil Amélia Lins Costa Dantas e ficaram feridos os agentes Genival Maurício da Silva, Carlos César, Amanda Daniela e Luiz César. Antes mesmo dos problemas decorrentes daquela explosão terem sido resolvidos (os proprietários dos imóveis danificados ainda passam por dificuldades, por exemplo), um novo acidente fatal comprova que, em termos de prevenção da segurança de seus próprios integrantes, é enorme o risco contido no aparelho de segurança pública alagoana. Como falar em defesa social se quem integra esse setor não tem como se defender de falhas gritantes nas estruturas policiais? Como entender que 20% de um tipo de armamento letal esteja fora das especificações? Como não suspeitar que o restante do arsenal possa estar contaminado pela mesma incúria? O problema da segurança pública em Alagoas, como tem sido criticado há anos, é muito maior que a própria incapacidade de dar combate eficiente ao crime organizado e/ou que as defasagens salariais de seus integrantes e/ou a precariedade das condições de trabalho. Esse monumental problema está ligado, ao que tudo indica, a uma falência generalizada, gerencial e política desse setor essencial para a sociedade.