Opinião
MARATONA: INDEPEND�NCIA OU MORTE
A maratona é a prova mais famosa e nobre do atletismo. Nela um espírito forte habita e conduz um conjunto de ossos, sistemas e músculos em perfeita harmonia em direção a um objetivo comum (competir numa prova de 42.195m). De acordo com o C.O.I. (Comitê Olímpico Internacional) a origem da maratona se deu em 490 a.c. quando os atenienses iriam travar uma batalha contra os persas. Ao percorrer todo vale de maratona (40km) e chegar a Atenas o soldado anunciou a mensagem e caiu morto. Outrora, nos jogos olímpicos da era moderna em Atenas 1896, Fidípedes fora homenageado com a inclusão da prova de 40 km na competição. Mais tarde, nos jogos de 1908, na Inglaterra, a distância teria o acréscimo de 2.195m em benefício ao comodismo da família real para assistir ao evento no Palácio de Windsor. Para a grande maioria dos mortais fica a indagação: por que um bando de loucos e/ou idiotas pagam por um martírio dessa proporção e correndo ainda riscos fatais? Talvez a nível inconsciente, a ?mola propulsora? seja um misto de satisfação pessoal e rebeldia (insatisfação). Será que Freud explicaria? Fato é que naquele momento um sentimento de autonomia se manifesta, experimentando assim um processo democrático interno, tornando o individuo majoritariamente responsável pela condução de suas capacidades físicas e intelectuais. Assim, este ?estado/nação? chamado organismo humano torna-se independente de qualquer governo. Nosso meio ambiente (interior do organismo) recebe cuidados 100% ecologicamente correto. O sistema único de saúde faz jus ao nome, já que somos únicos e exclusivamente responsáveis por ele. O Ministério da Educação (massa encefálica cinzenta) age de forma autodidata, possibilitando-nos assimilar, raciocinar e agir perante as variáveis da ocasião. Infelizmente, não podemos ter forças armadas independentes e temos que nos contentar em sermos ?um exercito de um homem só, no difícil exercício de viver em paz?. Junto aos Kms deixados para trás ficam-se também, além da poeira, toda a insatisfação com os peculatos, nepotismos, injustiças sociais, abuso de poder/autoridade, má distribuição de renda e tantas outras atrocidades existentes no Brasil. E os ?loucos? que cruzam o pórtico da sanidade com dor, sofrimento e em êxtase são coroados com uma divina massagem egocêntrica e com a consciência que são cidadãos de si próprio e não cidadãos brasileiros apenas para os deveres. Sendo assim, totalmente cientes da falência múltipla dos órgãos (públicos).