Opinião
Expectativas redobradas num cen�rio inesperado
Falta apenas um mês para a voz, nada rouca, das urnas fazer-se ouvir em todo Brasil. Salvo alguma exceção ainda não percebida pela cobertura midiática nacional nos estados, as disputas majoritárias seguem sem grandes alterações nas unidades federadas. Mas, como todos estão a acompanhar, o cenário da disputa presidencial sofreu severa alteração. A rigor, a grande questão a ser respondida pelos áugures de plantão continua a mesma (desde o ano passado, pelo menos): Dilma Rousseff conquistará o segundo mandato? Até há um mês, as pesquisas indicavam, oscilando para mais ou para menos, a chance de um segundo turno. Naquelas hipóteses, Aécio Neves era quem exibia as chances de ser o nome ungido para disputar com a presidenta a segunda rodada de votos. Morto tragicamente Eduardo Campos, o dia seguinte é o que estamos acompanhando hoje. Marina Silva, que sempre apresentou melhor performance nas pesquisas, acrescentou a essa força o poder da emoção pelo desaparecimento súbito do pernambucano e catapultou-se a uma posição de protagonista, deslocando inapelavelmente a candidatura tucana. Dilma e Marina, a apenas um mês das eleições, se digladiam num cenário absolutamente novo ? inclusive, e principalmente, para as duas. Os comandos de campanha têm de refazer seus planos, redesenhar suas estratégias e redefinir táticas. De uma hora para outra mudaram os contendores e as condições da batalha, e isso não é de somenos importância. Marina, que nem partido tem e está abrigada em sigla alheia, está com a dificílima missão de ajustar, num átimo, sua personalidade a um programa político que tenta misturar concepções antagônicas. Como isso não é possível, a tendência é o abuso dos sofismas e dos dribles, formulando frases ocas e se comprometendo ?de boca? com propostas que jamais serão cumpridas por absoluta capacidade de harmonização entre suas próprias ideias, os ideários dos partidos que sustentam seu nome e os ideais dos poderosos apoiadores que aterrissam agora em sua campanha. Dilma continua a ter, no fundamental, os mesmos desafios programáticos de antes, ou seja, buscar uma reeleição sem poder exibir sucesso incontestável no primeiro mandato. E ainda por cima enfrentando uma onda inesperada de inegável força. Enfim, temos um mês para responder a tudo isso, e mais alguma coisa.