Opinião
N�O � F�CIL CHEGAR AOS 148 ANOS
Mesmo que não tivéssemos criado o relógio para contar o tempo, marcar as horas, os minutos e os segundos, mesmo assim haveria a noite e o dia testemunhando o caminho percorrido ao redor do sol enquanto rodopiamos num eterno balé cósmico. É esse o segredo do tempo, onde aparentemente imóvel nos deslocamos em direção ao futuro deixando para trás a poeira do tempo ? o passado. É esta poeira que se solidifica e se transforma no objeto da História. É o caso do Palácio do Comércio, construído entre 1923 e 1928, como sede da Associação Comercial de Maceió, fundada em 7 de setembro de 1866. Com 148 anos de existência, essa entidade é testemunha da construção da própria capital alagoana. Viu Jaraguá quando este era apenas um local de vocação portuária que permitia receber navios para o escoamento de sua produção algodoeira, açucareira e de outros produtos, mesmo sem ponte de embarque. Esta teve seu planejamento tratado no expediente da instituição até o implante da primeira estaca na enseada e a inauguração em 1870. Tudo isso está registrado em seus livros de atas, o maior tesouro da instituição. Razão pela qual, chega aos 148 anos completamente lúcida. O tempo não conseguiu apagar a sua memória e o seu registro de nascimento, a ata de fundação é um bem maior que muitas instituições do gênero não têm. No seu trigésimo segundo presidente, sendo a sétima instituição do gênero fundada no Brasil, esta casa nunca se apartou dos ideais de sua fundação, quando o visionário, José Joaquim de Oliveira, nome de pouca projeção no campo das ciências ou das letras, ensejou a compra da carta de alforria de uma menina escrava de 10 meses chamada Benvinda, como símbolo da sua participação abolicionista no mundo dos negócios. Um gesto capaz de promover o pensamento libertário que se propagou no seio da Associação Comercial de Maceió, concorrendo para que nenhum dirigente publicamente escravista tivesse assento na presidência. Razão, talvez, do Barão de Jaraguá obter apenas um voto em uma das eleições. Para ele, o desenvolvimento do país e, sobretudo de Alagoas devia seguir por mãos livres e não cativas. Uma instituição política, no entanto apartidária, democrática e livre para permitir que seus dirigentes escolham o seu próprio caminho. Não é por acaso que o 7 de setembro foi escolhido para o dia de sua fundação, que realmente acontece no dia 22 de julho de 1866.