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Opinião

Quando a manipula��o substitui a investiga��o

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Como tem se tornado comum nos últimos anos, a mais badalada hebdomadária de circulação nacional se esmera em ser a ponta-de-lança do golpismo político nem sempre disfarçado e procura pautar, mais das vezes com sucesso, o teor dos debates midiáticos no Brasil, manipulando a discussão em prol dos interesses mais retrógrados e conservadores. No exemplar em circulação nesta semana, a citada publicação reafirmou seu estilo e, numa tacada só, abate diversos conceitos éticos. Sejam quais forem as informações prestadas por Paulo Roberto Costa, é evidente que tais dados precisam ser investigados sem açodamento, mesmo que não sejam segredo de Justiça. Ao apresentar-se como uma entidade com livre tráfego em procedimentos ainda em andamento, e, portanto, reservados, a revista demonstra estar acima da lei e da ética ? ao que tudo indica, contando com a cumplicidade de servidores públicos. Os dados estão, em sua face facilmente comprovável, escamoteados. Objetiva o desvio do foco político quando não destaca devidamente questões essenciais para o entendimento da teia de interesses eleitorais e partidários, como o fato de que o cidadão Paulo Roberto Costa é indicação original do governo Fernando Henrique Cardoso, que o colocou na Petrobras, ainda em 1995! O citado personagem foi reafirmado em posto relevante na estatal em 2004, a diretoria de Abastecimento, por indicação do Partido Popular (PP), sigla que em cenários como o alagoano, se coloca em oposição a Dilma Rousseff. Outra questão relevante varrida para baixo do tapete é que o denunciante foi demitido de seu cargo em 2012, numa decisão partilhada entre Graça Foster e Dilma Rousseff, que provocou protestos do PP, pela decisão de apear do poder não só um apadrinhado pela sigla, mas também pelo fato do demitido ser personagem influente na estatal desde o primeiro governo FHC, que o elevou à condição de gerente-geral do poderoso Departamento de Exploração e Produção do Sul. A ululante motivação vingativa dessa pessoa é simplesmente ignorada. Toda essa armação, além da óbvia motivação eleitoral de alvejar Dilma Rousseff e Marina Silva, tentando ressuscitar a candidatura tucana, tenta ser uma tremenda demonstração de poder, pautando não apenas a mídia, mas, principalmente,direcionando a ação da Justiça.

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