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MEIO S�CULO DE UNI�O

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Conheço-o desde que nasceu. Sei, por inferência lógica, da alegria que deu aos pais naquela madrugada chuvosa, quando exarou os primeiros choramingos, após as palmadinhas que a parteira lhe aplicou nas nádegas mirradas. Feinho como o diacho, não distinguiram logo se era parecido com o pai ou com a mãe, mas ambos ficaram felizes com a chegada do novo pimpolho. Cresceu sem ser um menino levado, talvez por força de uma timidez congênita, que sempre lhe assessorou negativamente o temperamento. Posso afirmar, com pura expressão de sentimento e de conhecimento, que nunca ambicionou o que estava fora do seu alcance, ou seja, nunca foi um ambicioso no sentido negativo do termo. Estudou, venceu na vida e esta lhe tem sido muito pródiga. Namorou e terminou se casando, após dez anos de namoro, para configurar com mais amplitude as suas realizações pessoais. Além da beleza natural e do comportamento da namorada, alguma coisa transcendental fez-lhe descobrir que estava diante da futura esposa. Foi uma atração à vista, paixão a prazo e amor em elevadas prestações que redundaram numa operação biológica que, com o casamento, deixou o saldo de um filho e de um neto. Prometeram fidelidade recíproca até a morte, na igreja de Santa Rita, perante o monsenhor Cícero Vasconcelos e, depois, confirmaram o compromisso diante do juiz José Augusto Tenório da Costa. E desde então vêm se tolerando de livre e espontânea vontade, durante cinquenta anos, que celebram, sem festas, neste 10 de setembro, mas o fazem ajoelhados, agradecendo a Deus por tudo que lhes tem dado. Na antinomia do temperamento de ambos, parecia encontrar-se a harmonia no êxito do casamento. Ela, vocacionada para as atividades festivas; ele, voltado totalmente para o lar. Aniversários, casamentos, batizados, sempre contaram com a presença dela, ao contrário do que se dava e se dá com ele. São os extremos que se encontraram na compreensão de ambos. Esposa dedicada, mãe afeiçoada, exemplo de bondade e de carinho, desempenhou o papel de mãe e de pai, durante um período em que o marido encontrava-se no interior, no mister de sua função. Era, por assim dizer, o seu anjo da guarda de saias, sempre disposta a dar tudo de si, visando à felicidade no lar. Esse cara difícil, que o espaço não permite traçar-lhe os defeitos, sou eu; a esposa é Marly, que Deus colocou na minha vida, para fazer-me mais humano e mais feliz, durante esse meio século de união.

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