Opinião
Desemprego em alta
Um dos principais argumentos em defesa da emenda da reeleição, levantada pelos partidários do presidente Fernando Henrique Cardoso, dizia que uma nova era no Brasil estava se iniciando e que os quatro primeiros anos de governo serviriam apenas para ?arrumar a casa? ? daí serem necessários mais quatro anos para fazer com que o Brasil entrasse no rumo do desenvolvimento. É possível que pessoas de boa fé tenham acreditado nesse neo-conto do vigário, mas o tempo tirou as dúvidas. Completados os oito anos de mandato, a situação longe está de ser aquela que deveria se verdadeiras fossem as declarações dos partidários da reeleição, à época. A crise é generalizada: inflação em alta, taxas de crescimento econômico sofríveis, juros elevados e desemprego crescente. A fragilidade da nossa economia é evidente, não necessitando ser especialista na matéria para compreender isso. Nesta semana, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou pesquisa mostrando que o desemprego no País, em novembro, atingiu 10,9% da força de trabalho. A nova metodologia adotada pelo instituto (semelhante à adotada por organismos internacionais) permitiu identificar com maior nitidez uma das mais trágicas heranças do governo FHC. Cada vez mais se estreitam os caminhos pelos quais uma solução para este quadro desolador pode ser encontrada. Não apenas o desemprego é gravíssimo, também o é o crescente emprego informal. A reforma da Previdência, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), não são suficientes para mudar o grave quadro. Só um amplo e vigoroso projeto de desenvolvimento econômico fará com que o país saia da crise. Não será com políticas econômicas punitivas para o investimento produtivo que o país irá mudar de rumo. Ao novo governo caberá a tarefa de imprimir um novo norte para o País. As esperanças depositadas pelos milhões de eleitores do residente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, não podem ser frustradas, nem pela inércia e nem pelo continuísmo. O Brasil não agüenta mais essa política.