Opinião
A UNIVERSIDADE E SEUS DESAFIOS
Eram os idos de 387 a.C e nos jardins de Academos, Platão fundou uma escola conhecida como Academia.Tornou-se o maior centro intelectual da antiga Grécia, permanecendo até o século VI d. C, quando foi fechada por ordem do imperador romano. Na Idade Média, século XI, escolas foram criadas espontaneamente em mosteiros e catedrais, as ?universitas?, e para lá iam professores e alunos interessados no conhecimento vindas de toda a Europa, mas para funcionarem precisavam da autorização real ou papal. A partir de sua consolidação na Europa na idade moderna, a universidade se caracterizou com instituição social,consolidando sua legitimidade em fundamentos como a autonomia do saber face à Religião e ao Estado; a concretização de um conhecimento guiado por sua própria lógica e a responsabilidade de educar o homem e servir à sociedade em que se insere e que a mantêm. Esses princípios moldaram a ideia da universidade inseparável das ideias de formação, reflexão, criação e principalmente crítica, em resumo, independência intelectual .Atualmente, a universidade caracteriza-se por três elementos interligados mas com pesos diferentes, o Estado, a sociedade civil e a autonomia da comunidade acadêmica. De acordo com a prevalência de um ou outro, delinearam-se três modelos: o modelo Napoleônico, quando ocorre a prevalência do Estado;quando a sociedade civil prevalece, tem-se o modelo anglo-saxão e quando a comunidade acadêmica prevalece, consolida-se o modelo alemão. Na universidade brasileira, apesar de uma certa influência do modelo anglo-saxônico pela via dos EUA,prevalece o modelo Napoleônico, o que cria uma contradição medular:ou a universidade se submete aos interesses do Estado ou atua como consciência crítica das ações do Estado e dos fundamentos e rumos da sociedade.. Essa questão reveste-se de elevada e eterna importância: o ato de engajamento de autoridades universitárias em política partidária não estaria contrariando vários postulados básicos da universidade, como sua independência intelectual em relação ao Estado e a indispensável manutenção da reflexão e da crítica independentes?