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Opinião

As ruas n�o s�o estacionamentos

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De certa forma correndo por fora da primazia do debate eleitoral, e portanto um tanto quando fora da pista, um tema citadino de grande importância tem mobilizado ardorosos defensores e acusadores na cidade de São Paulo. O assunto da hora por lá, e que merece ter a discussão espalhada Brasil afora, é a definição de ciclovias nas artérias principais das cidades ? simples assim. Aparentemente simplista, a questão é polêmica e complexa. Em primeiro lugar para serem acomodadas na imensa maioria das cidades brasileiras, as bicicletas terão de ocupar faixas de outrem, pelo simples fato de ? descontadas algumas honrosas e raras exceções ? as ciclovias sempre foram tratadas como exotismo e, aqui e ali, quando implantados, dificilmente ultrapassavam os limites de trechos isolados em meio à antiga definição das vias como leitos específicos para o fluxo de automóveis. Assim, a não ser quando uma obra urbanística inovadora definia um pedaço de uma nova área de rolamento para as bicicletas, a questão tromba pela disputa de espaço com o automóvel. No caso paulistano do momento, quando a prefeitura decidiu definir uma faixa específica, nas ruas antigas, para o tráfego de bicicletas, o mundo caiu. Em primeiro lugar porque a área urbana escolhida abriga moradores que gostariam de ser definidos como ?elite?. E, a exemplo do que já havia acontecido quando da tentativa de instalação de um ponto de acesso ao metrô no bairro de Higienópolis, os ?chiques? tiveram um chilique e mobilizaram-se para evitar que os usuários do transporte de massa tivessem a chance de aflorarem do subsolo exatamente naquele perímetro tão aprazível. No caso atual, nas áreas afetadas pelo plano da prefeitura de Sampa além da revolta ?social? a questão toca num outro ponto sensível e igualmente comum em praticamente todas as cidades brasileiras: a perda do ?direito? dos automóveis usarem a faixa colada na calçada como estacionamento. Está sendo enorme a revolta de quem se acha no direito de usar a rua como estacionamento privado (e gratuito). Este desvio de função das vias urbanas, deformadas de faixa de tráfego para garagem a céu aberto é um dos problemas recorrentes em todo Brasil, e que ? graças às bicicletas paulistas ? está sendo colocado em pauta. Esta é uma boa hora para se aproveitar a oportunidade e resolver de vez essa atrofia urbana e que as ruas sejam devolvidas ao livre transitar.

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