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Opinião

O CORA��O GIGANTE PAROU

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Não recordo como e onde nos conhecemos. Agora, uma coisa me faz ter certeza, é que não vou controlar a vontade de algumas lágrimas escorrerem sobre minha face ao escrever este artigo nesta madrugada fria e dolorosa. Na noite passada, já tive dificuldade para conciliar o sono. Aliás, desde o primeiro dia quando me informaram que o Arnaldo Costa se internara numa UTI em estado grave, senti uma grande angústia. Não conseguia enxergar aquele peso pesado de alegria estendido num leito de hospital sendo bafejado pela morte intolerante. Muito menos repousando seu cansaço da vida numa repulsiva urna funerária tão precocemente. Não demorou e tudo ficou muito real. O coração gigante não mais suportou a dor física, o sofrimento e parou de bater, para sempre. A morte ganhou o jogo. Meu amigo era um positivista por natureza, uma pessoa generosa, fiel, solidária. Um exemplo de dedicação e doação plena à sua família, não apenas à esposa Creuza e seus quatro filhos, mas também, na mesma proporção de grandeza, deu por toda a vida aconchego e amor aos seus irmãos de sangue. Incapaz de esquecer os amigos, não resistia em lhes oferecer uma palavra de carinho através de uma ligação telefônica quando sentia que o último contato já fazia algum tempo. Revertia dificuldades com uma capacidade invejável de transformá-las em festa e otimismo. Por falar em festa, não é demais lembrar que foi um festeiro irrepreensível! Gostava de pagode, samba, cantava e, num encontro de companheiros criou o famoso Pituboys para animar ainda mais as churrascadas de final de semana. Trabalhador incansável de muita coragem introduziu um modelo diferente de comunicação no rádio, seduziu milhares de ouvintes com a potência da sua voz, inimitável. Abriu portas para uma dezena de talentos e marcou a propaganda alagoana com a criação da primeira agência de Maceió: a Publicar. Trocando mensagens com o jornalista José Osmando para informá-lo de sua morte, dele ouvi a mais verdadeira de todas as frases que definem o Arnaldo: ?Nasceu para fazer o bem, porque ele era o bem por excelência?. Apenas apressou-se um pouco e partiu antes de nós, porque um amigo de verdade nunca morre. As lições que nos deixou nunca serão esquecidas pelos que, com ele, tiveram o privilégio de conviver. Fica com Deus, amigo de fé, irmão camarada.

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