Opinião
Emancipa��o formal e depend�ncia real
Em consubstanciada reportagem publicada no domingo, dia 14, a Gazeta, por meio da pena da jornalista Milena Andrade, afirmava: ?197 anos depois, Alagoas tem pouco a comemorar?. De fato, há apenas três anos do bicentenário de sua emancipação formal, este pedaço de Brasil abençoado pela natureza continua passando maus bocados. Nunca vivemos num mar de rosas, apesar do epíteto de ?filé do Nordeste?, mas as condições materiais e sociais se deterioraram rapidamente. Há apenas três anos do festejo dos 200 anos de vida como unidade autônoma, exibimos a pior posição no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), aqui amargando a maior proporção de analfabetos do País. Nos castiga também a maior taxa de mortalidade infantil, a terceira menor renda per capita no Brasil e o terrível título de estado com o maior número de mortes violentes em todo o território nacional. Empobrecido cada vez mais, nosso Estado, emancipado no século 19, alcança o século 21 cada dia mais dependente de recursos vindos de fora, mantendo o dia a dia em certa normalidade graças aos repasses federais. Uma triste realidade, agravada pelas obrigações dos serviços de uma dívida contratada com juros escorchantes por imposição do governo Fernando Henrique Cardoso nos idos de 1996/1997, quando do ?socorro? prestado ao Estado em decorrência da monumental crise desabada sobre os alagoanos naqueles dias. Impagável nas condições impostadas pelo receituário tucano, essa pendência suga do estado mais sofrido da federação fortunas todos os meses. Conforme assinalava o jornalista Edivaldo Junior, apenas ?entre janeiro de 2007 e julho de 2014, as transferências [de Alagoas] para o governo federal somaram R$ 4,7 bilhões?. A média de pagamento neste ano é de R$ 57 milhões por mês. Pela arapuca montada pela equipe de FHC, em 1997, e à qual o Estado ainda está aprisionado, quando mais Alagoas paga, mais deve. Apesar de remeter à União, religiosamente, nada mais, nada menos, que 15% de sua receita líquida, todos os meses, o ?resíduo? dessa famigerada dívida praticamente dobra a cada sete anos. Sem deixar de pagar um mês sequer, o débito alagoano pulou de R$ 5,6 bilhões em 2007 para R$ 9,4 bilhões em 2014 (até junho). De fato, nessa marcha à ré, falar de ?emancipação? parece piada. Talvez, nos próximos 200 anos...